Boletim Focus eleva projeções de inflação e passa a prever Selic de 14% em 2026

O Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (22), consolidou uma nova rodada de deterioração nas expectativas macroeconômicas do mercado financeiro para os próximos anos. O principal destaque do relatório foi o movimento de desancoragem das metas, que levou a projeção da taxa Selic para o encerramento de 2026 de 13,75% para 14,00% ao ano — marcando a terceira semana consecutiva de revisão altista. No front da carestia, a estimativa para o IPCA de 2026 avançou de 5,30% para 5,33%, estendendo uma sequência ininterrupta de revisões para cima por 15 semanas consecutivas.

O comportamento dos principais indicadores macroeconômicos aponta para um cenário de juros restritivos por mais tempo e pressões inflacionárias persistentes, conforme detalhado a seguir.

O horizonte de projeções dos analistas das principais instituições financeiras e consultorias econômicas redesenhou as trajetórias para a atividade e preços:

Indicador MacroProjeção 2026Projeção 2027Projeção 2028Projeção 2029
IPCA5,33% ▲ (de 5,30%)4,15% ▲ (de 4,10%)3,70% ▲ (de 3,68%)3,50% ▬ (estável há 42 sem.)
Taxa Selic14,00% ▲ (de 13,75%)12,00% ▬10,25% ▬10,00% ▬ (estável há 7 sem.)
Crescimento do PIB1,98% ▲ (5ª alta seg.)1,70% ▬ (estável há 4 sem.)2,00% ▬ (estável há >100 sem.)2,00% ▬ (estável há 66 sem.)
Câmbio (R$/US$)R$ 5,20 ▬R$ 5,27 ▲ (de R$ 5,25)R$ 5,30 ▬ (estável há 4 sem.)

O comportamento dos índices de atacado e tarifas públicas apresentou sinais mistos no relatório desta semana. Contrariando a tendência de aceleração do IPCA, a projeção do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) para 2026 registrou recuo de 6,22% para 6,15%, interrompendo duas altas semanais consecutivas. Para 2027, houve ajuste marginal para cima (de 4,04% para 4,08%), enquanto os anos de 2028 e 2029 permaneceram ancorados em 3,82% e 3,77%, respectivamente.

As estimativas para as tarifas controladas (como energia, combustíveis e planos de saúde) para 2026 mantiveram-se estáveis em 5,00%. O horizonte de 2027 sofreu um ralo avanço de 3,81% para 3,85%, enquanto a projeção para 2028 apresentou alívio, cedendo de 3,60% para 3,50% — mesmo patamar de estabilidade projetado para 2029 há 49 semanas.

A despeito do aperto nas condições monetárias representadas pela Selic em patamar mais elevado, as leituras sobre o nível de atividade econômica doméstica seguem mostrando tração de curto prazo. A estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 foi revisada de 1,97% para 1,98%, anotando a quinta melhora consecutiva no indicador.

No mercado de câmbio, a projeção para a cotação do dólar comercial ao final de 2026 ficou fixada em R$ 5,20, sem alterações em relação à leitura anterior. Contudo, a curva futura de médio prazo capturou uma leve deterioração de humor: a estimativa da moeda norte-americana para o encerramento de 2027 subiu de R$ 5,25 para R$ 5,27, quebrando uma sequência de estabilidade e sinalizando que os prêmios de risco estruturais continuam pressionados.

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