Boletim Focus revisa inflação para baixo em 2026 e eleva expectativa de juros

O mercado financeiro iniciou a terceira semana de janeiro com um otimismo cauteloso em relação à trajetória de preços para o próximo ano. De acordo com o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (19), a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 recuou pela segunda semana seguida, passando de 4,05% para 4,02%.

Apesar desse alívio pontual, as expectativas para os anos seguintes demonstram resiliência: as estimativas para 2027, 2028 e 2029 permanecem ancoradas em 3,80%, 3,50% e 3,50%, respectivamente, mantendo estabilidade que já dura meses em alguns casos.

Em contrapartida à melhora no IPCA de curto prazo, o cenário para a política monetária tornou-se mais rígido no horizonte mais longo. A mediana das expectativas para a taxa Selic em 2028 sofreu um ajuste de alta, saltando de 9,88% para 10,00%. Para 2026 e 2027, o mercado manteve suas apostas em 12,25% e 10,50%, sinalizando a percepção de que os juros precisarão permanecer em patamares restritivos por um período prolongado para assegurar a convergência das metas. Essa postura é reforçada pela projeção estável de 9,50% para a taxa básica em 2029.

No que diz respeito ao crescimento econômico, o pessimismo ou a cautela parecem prevalecer, com as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) andando de lado. Para 2026 e 2027, a expectativa de expansão segue travada em 1,80%.

O cenário para o final da década é ligeiramente mais favorável, com uma estimativa de crescimento de 2,00% para 2028 e 2029, patamares que não sofrem alterações significativas há quase dois anos, no caso de 2028, evidenciando uma visão consolidada de crescimento moderado para a economia brasileira.

O mercado de câmbio também apresentou sinais de pressão no horizonte distante. Enquanto o dólar para 2026 e 2027 segue projetado em R$ 5,50, a estimativa para 2028 subiu pelo terceiro período consecutivo, atingindo R$ 5,52.

Para 2029, a moeda americana é esperada em R$ 5,57. Paralelamente, outros indicadores de inflação, como o IGP-M e os preços administrados, mantiveram-se majoritariamente estáveis, com o IGP-M de 2027 sustentando a mesma marca de 4,00% há 53 semanas, o que reforça a leitura de um cenário de preços controlado, porém ainda distante da meta central de inflação.

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