O mercado financeiro revisou para cima suas expectativas para a inflação de 2026, conforme os dados publicados no Boletim Focus pelo Banco Central nesta segunda-feira, 13. A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu para 4,71%, marcando a quinta elevação semanal consecutiva. O movimento de alta também atingiu a estimativa para 2027, que avançou para 3,91%, enquanto as previsões para os anos de 2028 e 2029 permanecem ancoradas em patamares inferiores, de 3,60% e 3,50%, respectivamente.
No segmento de preços administrados e outros indicadores de inflação, o pessimismo é evidente no curto prazo. A projeção para o IPCA de itens controlados pelo governo em 2026 subiu para 4,87%, acompanhada por uma revisão no IGP-M, que agora é esperado em 3,86% para o mesmo período. Para os anos subsequentes, as expectativas de preços administrados mostram-se mais estáveis, mantendo-se em 3,50% para o biênio 2028-2029, o que sugere uma visão de normalização após as pressões previstas para o próximo ano.
Quanto ao crescimento da economia brasileira, o Produto Interno Bruto (PIB) não sofreu alterações nas estimativas do mercado para o horizonte próximo. A projeção para 2026 foi mantida em 1,85%, nível em que permanece pela segunda semana seguida, enquanto para 2027 a previsão continua em 1,80%. Em uma perspectiva de longo prazo, os analistas seguem prevendo uma expansão estável de 2,00% tanto para 2028 quanto para 2029, consolidando uma trajetória de crescimento moderado, sem grandes variações em relação aos relatórios passados.
O cenário para o mercado de câmbio apresentou um alívio nas projeções de 2026, com o dólar recuando para R$ 5,37 após um período de estabilidade. Essa tendência de leve queda também foi observada nas estimativas para 2027, que passaram para R$ 5,40, e para 2028, fixadas em R$ 5,46. No entanto, para o ano de 2029, a moeda norte-americana deve se manter em patamares mais elevados, com a mediana das apostas estacionada em R$ 5,50, refletindo a cautela dos investidores com as variáveis externas e internas no longo prazo.
Por fim, a condução da política monetária pelo Banco Central deve permanecer restritiva, segundo as projeções de juros. A taxa Selic esperada para o fechamento de 2026 foi mantida em 12,50% pela terceira semana consecutiva, indicando que o mercado não antecipa cortes imediatos diante da inflação resiliente. Para os anos seguintes, a trajetória é de queda gradual, com estimativas de 10,50% para 2027 e alcançando 9,75% em 2029, sinalizando uma convergência lenta da taxa básica de juros para níveis de um dígito.
