Startup brasileira cria “cérebro” com IA para deixar robôs mais autônomos

A startup brasileira BotBot desenvolveu uma tecnologia que busca tornar robôs mais inteligentes e úteis em aplicações corporativas. O produto, chamado BotBrain, funciona como uma espécie de “cérebro” com inteligência artificial, capaz de ajudar máquinas a interpretar o ambiente e tomar decisões a partir de regras definidas.

Fundada em janeiro de 2025, em São Paulo, a empresa mira inicialmente o mercado corporativo. A proposta é permitir que robôs sejam usados em atividades como rondas patrimoniais, inspeções de segurança, monitoramento de áreas de risco e verificação de condições em ambientes industriais.

Segundo o g1, o projeto foi apresentado durante a São Paulo Innovation Week, evento de tecnologia e inovação realizado em maio na capital paulista.

Como funciona o BotBrain

O BotBrain é um módulo que pode ser acoplado a diferentes tipos de robôs, incluindo modelos humanoides, quadrúpedes, como os chamados “cães-robôs”, e equipamentos com rodas.

A tecnologia reúne câmeras, sensores, alto-falantes e software de monitoramento. A partir de um computador, uma pessoa pode configurar ações, acompanhar a operação e definir regras para o comportamento do robô.

Na prática, o sistema permite que a máquina deixe de apenas executar movimentos programados e passe a agir com mais contexto. Um robô pode, por exemplo, mapear um ambiente, identificar se portas estão abertas fora do padrão, verificar se funcionários usam equipamentos de proteção ou detectar sinais de vazamento e risco.

Em modelos nos quais não é possível instalar o módulo físico, a startup afirma que consegue operar com a parte de software, integrada ao robô conforme as permissões do fabricante.

Tecnologia mira empresas antes de chegar às casas

Por enquanto, a solução é voltada a empresas. O sistema é oferecido em modelo de aluguel por US$ 1 mil por mês, cerca de R$ 5 mil, sem incluir o robô, que deve ser adquirido separadamente de outros fabricantes.

A BotBot afirma que o valor reflete o estágio inicial da tecnologia e inclui atualizações conforme o produto evolui. A empresa vê aplicações em segurança, indústria, infraestrutura e monitoramento de estruturas como pontes, barragens e áreas de difícil acesso.

O avanço também aponta para uma tendência maior do mercado: a chamada IA física, ou Physical AI, que combina inteligência artificial com sistemas do mundo real, como robôs e máquinas capazes de interagir com o ambiente.

Mercado global também avança nessa direção

A ideia de tornar robôs mais autônomos com IA não é exclusiva da BotBot. Empresas internacionais também trabalham em tecnologias semelhantes.

A Skild AI, startup fundada em 2023, desenvolve sistemas para permitir que robôs executem tarefas físicas com maior capacidade de adaptação. Já a Boston Dynamics anunciou parceria com o Google DeepMind para ampliar a inteligência de robôs humanoides em aplicações industriais.

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