Brasil apresenta R$ 28,5 bilhões em projetos minerais para investidores no Canadá

REUTERS/David Becker

O setor mineral brasileiro apresentou no PDAC, maior evento de mineração do mundo, uma carteira com 35 projetos de minerais críticos. O investimento potencial estimado é de US$ 5,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,5 bilhões na cotação atual.

O catálogo reúne oportunidades em diferentes estágios, desde pesquisa e exploração até processamento e beneficiamento mineral. O material foi elaborado pela ApexBrasil em parceria com a Adimb e o Ibram. O formato segue o padrão adotado nos principais encontros globais do setor.

O PDAC ocorre em Toronto entre 1 e 4 de março. A delegação brasileira reúne 33 mineradoras, de grandes grupos como a Vale a empresas juniores com projetos em fase inicial, além de representantes do setor público.

O Brasil participa do evento em um momento estratégico. A demanda global por minerais críticos avança, as cadeias de fornecimento passam por reorganização e o país busca ampliar a atração de capital estrangeiro.

Segundo Ana Paula Repezza, diretora de Negócios da ApexBrasil, há forte interesse na captação de investimentos para empresas juniores no Brasil, tanto em projetos de exploração quanto de beneficiamento mineral. A estratégia está alinhada à agenda de minerais críticos e à geração de valor agregado no país.

Oito projetos ganham destaque na agenda brasileira

Entre os 35 projetos, oito foram apresentados no Brazilian Mining Day, principal agenda do Brasil dentro do PDAC. O seminário reúne autoridades, executivos e investidores para debater governança regulatória, licenciamento ambiental, minerais críticos, metais preciosos e conhecimento geológico.

Um dos destaques é o Projeto Araxá, da australiana St. George Mining. A iniciativa prevê a mineração simultânea de nióbio e terras raras. A empresa manteve diálogo com representantes do governo dos Estados Unidos sobre possíveis acordos de fornecimento e negocia com a norte americana REalloys um contrato de compra futura que pode envolver até 40 por cento da produção de terras raras do projeto.

Em 2025, a St. George anunciou a criação de um centro tecnológico em parceria com o CEFET MG, em Araxá, com planta piloto dedicada ao processamento desses minerais.

Lítio e grafite, insumos estratégicos para baterias, defesa e alta tecnologia, também integram a apresentação brasileira.

Gustavo Pimenta, CEO da Vale, afirmou que o Brasil possui amplo potencial minerário em minerais considerados críticos e pode assumir papel relevante no fornecimento de insumos essenciais para inteligência artificial e transição energética.

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