Brasil registra fluxo cambial positivo de US$ 2,588 bilhões em junho até 5 de junho, informa BC

O fluxo cambial do Brasil iniciou o mês de junho em terreno positivo, impulsionado predominantemente pelo desempenho do comércio exterior. De acordo com as estatísticas preliminares de câmbio contratado divulgadas pelo Banco Central nesta quarta-feira (10), o país registrou uma entrada líquida total de US$ 2,588 bilhões no acumulado de junho até o dia 5, período que compreende a primeira semana cheia do mês.

O resultado consolidado reflete uma dinâmica de forte dependência do setor exportador para a sustentação do balanço de pagamentos. Pelo canal comercial, que monitora as liquidações de contratos de exportação e importação, o saldo apurado foi superavitário em US$ 2,074 bilhões, respondendo por cerca de 80% de todos os recursos que ingressaram no país no intervalo.

Por outro lado, o canal financeiro — que engloba operações estruturais como investimentos estrangeiros diretos (IED), aplicações em carteira de ações e renda fixa, além de fluxos de saída como remessas de lucros, dividendos e pagamentos de juros de dívidas — exibiu um comportamento mais tímido, operando com entradas líquidas de US$ 515 milhões no período.

Com o desempenho computado nos primeiros dias de junho, o fluxo cambial total acumulado pelo Brasil no ano atinge um superávit de US$ 16,640 bilhões. Embora o volume global reforce a liquidez do mercado doméstico, o descompasso entre o vigor comercial e a moderação do canal financeiro corrobora o cenário de maior aversão ao risco por parte do investidor internacional, alinhando-se à postura recente de grandes bancos de investimento que revisaram suas projeções macroeconômicas diante da perspectiva de manutenção da taxa Selic em patamares elevados por um período mais prolongado.

A forte discrepância entre os canais no acumulado do ano evidencia que, enquanto o comércio exterior garantiu um saldo positivo expressivo de US$ 26,380 bilhões, o canal financeiro consolidou uma saída líquida de US$ 9,740 bilhões no período, evidenciando uma postura mais cautelosa dos investidores no ambiente de portfólio e contas financeiras.

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