Mulheres na Ciência e Inovação Industrial: premiadas 3M 2026

A edição de 2026 teve como tema "Mulheres na Manufatura", destacando o papel estratégico da presença de mulheres na inovação industrial (Divulgação)

A 3M divulgou as 25 contempladas da sexta edição do programa “25 Mulheres na Ciência”. Trata-se de uma iniciativa voltada a reconhecer lideranças femininas em ciência, tecnologia, engenharia e matemática com foco na transformação de processos industriais na América Latina. Das 25 premiadas, dez são brasileiras — e representam todas as regiões do país: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

O tema escolhido para a edição de 2026 foi “Mulheres na Manufatura”. Com isso, o programa reforça a relevância estratégica da participação feminina na inovação dentro do setor industrial. Além disso, os projetos selecionados cobrem áreas como digitalização, automação, sustentabilidade industrial, eficiência energética, segurança e desenvolvimento de novos materiais.

Ana Sbaglia, gerente da unidade de Ribeirão Preto e líder do Grupo de Liderança Feminina da 3M Brasil, ressaltou que as iniciativas reconhecidas contribuem para soluções industriais mais eficientes, seguras e sustentáveis. Segundo ela, “o envolvimento delas na manufatura desempenha um papel importante no impulso da inovação”.

Impacto social e ambiental em destaque

Entre os projetos premiados, alguns se destacam especialmente pela dimensão social e ambiental. Na área da saúde, por exemplo, as iniciativas vão desde a impressão 3D de medicamentos em ambiente hospitalar até o desenvolvimento de vírus terapêuticos voltados ao tratamento de tumores cerebrais. Somam-se a isso tecnologias acessíveis criadas para a aquicultura.

Outros três projetos, por sua vez, aplicam os princípios de economia circular ao reaproveitamento de resíduos da produção cervejeira. Nesse sentido, o bagaço de malte — subproduto do processo — foi transformado em embalagens sustentáveis com menor dependência de plástico, biofilmes nanocompósitos e ração animal granulada.

Mulheres ainda são minoria na indústria brasileira

Apesar dos avanços, dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), publicados em 2025, indicam que as mulheres ainda ocupam cerca de 24,2% dos postos de trabalho na indústria brasileira. No entanto, nos cargos de liderança, a evolução é mais expressiva: a participação feminina saltou de 24% em 2008 para 31,8% em 2021, conforme a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Além disso, uma pesquisa global conduzida pela própria 3M aponta que 81% dos brasileiros reconhecem que as mulheres têm potencial ainda pouco aproveitado em carreiras científicas. Da mesma forma, outros 78% acreditam que ampliar essa presença no setor industrial é fundamental para o avanço tecnológico e sustentável do país.

As dez vencedoras brasileiras

A seguir, confira as dez brasileiras reconhecidas na edição de 2026:

Júlia Leão (formula3D) — Desenvolveu um projeto de impressão 3D de medicamentos em ambiente hospitalar, inovando, assim, na produção farmacêutica.

Endria Carem Silva Lima (Stec) — Criou o ClientConnect, plataforma de gestão de projetos baseada em inteligência artificial.

Nathália Terra (Visteon Amazonas) — Atua com análise de falhas em placas de circuito impresso por meio de metalografia, corante, alavanca e raio-X.

Ana Paula Zapelini de Melo (Universidade da Califórnia, Davis) — Desenvolveu tecnologias de baixo custo voltadas à produção de peixes em aquicultura.

Vanessa Aparecida de Moraes Weber (Soluções de Precisão KEROW) — Criou um sistema de visão computacional para monitoramento de bovinos.

Ana Carolina Migliorini Figueira (CNPEM) — Trabalha com plataformas microfisiológicas aplicadas, sobretudo, à pesquisa biomédica humana.

Carolini Kaid (iOZ Biotech) — Desenvolveu vírus terapêuticos para o tratamento de tumores cerebrais.

Ídila Maria da Silva Araújo (Embrapa Agroindústria Tropical e Biovalor) — Criou ração animal granulada a partir do bagaço de malte, reaproveitando, portanto, resíduos industriais.

Maria Izabel Magalhães Viana Fittipaldi (Protect Mais Nanotecnologia) — Desenvolveu o Paper Protect, solução inovadora de embalagens sustentáveis.

Gabriela Pereira Barros (Instituto de Tecnologia e Pesquisa Tiradentes) — Trabalha com biofilmes nanocompósitos produzidos igualmente a partir do bagaço de malte.

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