O Banco de Brasília (BRB) anunciou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para promover mudanças estratégicas em seu Conselho de Administração. A medida, detalhada em documentos enviados ao mercado na noite de terça-feira, atende a uma indicação do acionista controlador da instituição, o Governo do Distrito Federal (GDF), que apresentou novos nomes para compor o colegiado da instituição financeira.
A votação está programada para o dia 19 de fevereiro, quando os acionistas deverão deliberar sobre as indicações de Edison Garcia, Joaquim de Oliveira e Sérgio Nazaré.
Segundo o banco, as posses dos novos conselheiros ocorrerão imediatamente após a conclusão dos trâmites regulatórios e internos necessários. O movimento busca renovar a cúpula decisória da estatal em um momento de transição administrativa.
A reestruturação do conselho ocorre em um contexto sensível para o banco público. As propostas de mudança surgem apenas dois meses após uma operação da Polícia Federal que investigou dirigentes do BRB e do Banco Master.
As investigações apuram um suposto esquema financeiro que, segundo as autoridades, poderia ter causado perdas superiores a R$ 10 bilhões aos cofres da instituição brasiliense, o que elevou a pressão por maior rigor e fiscalização na governança corporativa da entidade.
A análise do perfil dos três indicados revela que o Governo do Distrito Federal busca reforçar o controle institucional e a conformidade técnica, especialmente após as recentes investigações envolvendo a instituição.
O perfil de Edison Garcia é central para a estratégia de governança e regulação. Advogado com pós-graduação em Direito Societário e Mercado de Capitais pelo Insper/IBMEC-SP, ele possui uma trajetória marcada pela atuação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), onde foi procurador e superintendente, além de ter presidido a Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec). Sua experiência prévia na presidência da CEB (Companhia Energética de Brasília) e do INSS reforça um perfil de gestor habituado a processos de reestruturação e transparência em empresas públicas.
Já Joaquim Lima de Oliveira traz o peso da experiência em alta administração bancária e setor público. Com carreira sólida na Caixa Econômica Federal, onde atuou como diretor, vice-presidente e presidente interino, seu foco técnico reside na gestão de grandes instituições financeiras e no relacionamento institucional com o Governo Federal. Por fim, Sérgio Ricardo Miranda Nazaré complementa o colegiado com um viés acadêmico e técnico-contábil robusto. Doutor em Ciências Contábeis e professor da UnB, ele já ocupou cargos de diretoria e conselho em diversas empresas e no próprio BRB, possuindo certificação de conselheiro pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).









