O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu sinal verde definitivo para a venda de mais um ativo de geração distribuída da Raízen (RAIZ4) para o Grupo Gera Energia. A transação envolve a alienação de 100% da Bio Polaris, empresa voltada à geração de energia a partir de biogás. A movimentação aprofunda a estratégia da Raízen de se desfazer de ativos periféricos para focar em seu core business, seguindo o rastro de uma operação maior realizada no ano passado, quando a companhia vendeu 55 usinas por cerca de R$ 600 milhões.
Apesar da venda de ativos, o foco principal do mercado está na complexa reestruturação financeira da companhia. A Raízen, que se encontra em processo de recuperação extrajudicial, apresentou aos seus credores uma proposta para equacionar um passivo de US$ 12,6 bilhões. O plano é agressivo e busca atacar diretamente a alavancagem da empresa, que atualmente está em 5,3 vezes o Ebitda.
A proposta enviada aos credores foca na conversão de dívida em patrimônio líquido (debt-for-equity swap), o que alteraria drasticamente o controle acionário da companhia:
- Conversão em Ações: A Raízen propõe que 45% da dívida seja transformada em participação societária. Se aceito, os credores passariam a deter até 70% das ações ordinárias da empresa, ao valor de R$ 0,40 por papel.
- Carência: O plano prevê um fôlego operacional com pelo menos cinco anos sem pagamentos de principal.
- Redução de Alavancagem: O objetivo é reduzir o índice de endividamento para 3,5 vezes o Ebitda, um patamar considerado mais sustentável para a operação.
Se a reestruturação for bem-sucedida, a Raízen não apenas limpa seu balanço, mas também abre caminho para uma reorganização estratégica de seus negócios. O plano menciona a possibilidade de um spin-off (separação) entre as unidades de açúcar e etanol e a divisão de distribuição de combustíveis.
Essa separação permitiria que cada unidade de negócio fosse avaliada de forma independente pelo mercado, potencialmente destravando valor para os novos acionistas (antigos credores) e permitindo gestões focadas em dinâmicas de mercado distintas. Enquanto o desinvestimento em geração distribuída limpa a prateleira de ativos menores, a conversão da dívida decide o futuro do controle da gigante do setor de energia.
