Caged: Brasil gera 112 mil empregos formais em janeiro com queda de 27%

O Brasil criou 112.334 empregos com carteira assinada em janeiro de 2026, resultado 27,24% menor que o registrado no mesmo mês do ano anterior e o pior desempenho para o período desde 2024. Os dados constam do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira, 3 de março, pelo Ministério do Trabalho.

O saldo, calculado pela diferença entre admissões e desligamentos, elevou o total de trabalhadores formais no país para 48,57 milhões. No acumulado de 12 meses, o Brasil registrou 1,22 milhão de novas vagas CLT, alta de 2,6% em relação ao período anterior.

Juros altos travam a geração de empregos

Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a desaceleração tem causa clara: a taxa básica de juros elevada. Na primeira reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano, com sinalização de corte apenas em março.

“Estávamos cantando essa bola desde 2024. O ritmo dos juros praticado iria levar a uma redução na velocidade da criação de novas vagas”, afirmou o ministro em entrevista coletiva. Portanto, segundo Marinho, o resultado de janeiro confirma uma tendência que o governo já antecipava.

Comércio fecha vagas, indústria e construção avançam

O setor que mais pesou no resultado foi o comércio, com saldo negativo de 56,8 mil vagas em janeiro. Por outro lado, a indústria e a construção civil registraram desempenhos positivos, com 54,9 mil e 50,5 mil postos abertos, respectivamente.

O ministro explicou que o fechamento de vagas no comércio é um comportamento esperado para o mês. Janeiro marca o encerramento dos contratos temporários firmados no fim do ano para atender à demanda das festas. Assim, o fenômeno se repete anualmente e já era previsto nos cálculos do governo.

O salário médio de admissão chegou a R$ 2.428,67 em janeiro, alta de 1,77% em relação ao mesmo mês de 2025, o equivalente a R$ 41,58 a mais nos vencimentos.

Mato Grosso lidera crescimento; Rio de Janeiro recua

Entre os estados, o Mato Grosso registrou o maior crescimento relativo de empregos formais, com alta de 1,92%. Em seguida aparecem Santa Catarina, com 0,72%, e Goiás, com 0,66%.

No sentido contrário, nove estados terminaram janeiro no vermelho. Os maiores recuos ocorreram no Acre, com queda de 0,77%, em Alagoas, com 0,60%, e no Rio de Janeiro, com 0,33% de retração no estoque de empregos formais.

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