O Brasil quase dobrou o número de horas anuais em que o calor representa risco severo à saúde humana nas últimas sete décadas. Um estudo internacional publicado na revista científica Environmental Research Health analisou dados climáticos entre 1950 e 2024 para medir o impacto do aumento das temperaturas.
Os pesquisadores identificaram que o país passou de 227 horas anuais de risco entre 1950 e 1979 para 366 horas no período entre 1995 e 2024, um crescimento de cerca de 61%.
A pesquisa utilizou um modelo fisiológico de calor que considera fatores como temperatura, umidade, radiação solar e esforço físico em atividades cotidianas. O método busca identificar quando o corpo humano perde a capacidade de regular a própria temperatura, transformando o calor em risco real à saúde.
Idosos concentram maior vulnerabilidade
O estudo indica que pessoas com mais de 65 anos enfrentam impactos mais severos do calor extremo. Em escala global, idosos acumulam cerca de 900 horas por ano em condições que limitam atividades ao ar livre, o equivalente a mais de um mês inteiro de horas diurnas.
Na América Latina, o Brasil aparece em posição intermediária no ranking de exposição ao calor extremo, com 366 horas anuais de risco. Países como Belize, Cuba e Paraguai apresentam números mais elevados, enquanto México e Argentina registram índices menores.
O levantamento também aponta que cerca de 35% da população mundial já vive em áreas onde o calor limita atividades seguras ao ar livre durante parte do ano, cenário associado ao avanço do aquecimento global.








