Canopy compra Maxicon e entra no agro com software que movimenta R$ 120 bilhões

A Canopy comprou a Maxicon Sistemas e entrou no mercado de tecnologia para o agronegócio. A empresa adquirida desenvolve softwares de gestão e logística para a cadeia de grãos e afirma movimentar mais de R$ 120 bilhões em transações por meio de suas plataformas.

Os sistemas da Maxicon processam cerca de 35 milhões de toneladas de grãos por ano e apoiam operações equivalentes a aproximadamente 10% da produção brasileira de soja. A companhia possui mais de 7 mil usuários e atende empresas distribuídas pelas principais regiões produtoras do país.

O valor da aquisição não foi divulgado. A Maxicon continuará com sua marca, gestão e autonomia operacional, enquanto a Canopy pretende apoiar a expansão comercial e incorporar práticas de governança e gestão ao negócio.

A operação inaugura a terceira vertical da Canopy, que já atua nos setores de saúde e infraestrutura por meio de outras empresas adquiridas.

Maxicon atua na cadeia de grãos desde 1999

Fundada em 1999, em Toledo, no Paraná, a Maxicon desenvolve soluções para administrar diferentes etapas da cadeia de grãos, incluindo recebimento, armazenamento, movimentação, comercialização e logística.

A empresa mantém sede em Toledo e presença física em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, um dos principais polos agrícolas do Matopiba. Também atende o mercado de Sorriso, em Mato Grosso, por meio de parceiros locais.

A distribuição geográfica acompanha a expansão da produção brasileira para diferentes regiões. Cada mercado possui características próprias de armazenamento, transporte, tributação e relacionamento entre produtores, cooperativas, cerealistas e tradings.

Segundo Anaide Holzbach, CEO da Maxicon, a especialização nesse ambiente foi determinante para a construção da base de clientes.

“Nosso diferencial sempre foi o profundo conhecimento das necessidades do cliente do agronegócio, aliado à capacidade de atender às especificidades de um país de dimensões continentais, com realidades diversas de norte a sul”, afirma.

A executiva continuará na liderança da empresa após a aquisição. A intenção é ampliar a presença entre os maiores grupos do mercado brasileiro de grãos sem romper as relações construídas ao longo dos últimos 27 anos.

Canopy analisou mais de 300 empresas de software

A aquisição foi concluída depois de a Canopy analisar mais de 300 empresas brasileiras de software vertical, categoria formada por sistemas desenvolvidos para atender as necessidades específicas de determinado setor.

A Maxicon chamou a atenção por combinar crescimento, especialização, utilização recorrente e presença em processos considerados críticos para os clientes.

“Pouquíssimas empresas combinam o que a Maxicon tem: crescimento elevado, um produto de missão crítica, liderança na cadeia de grãos e clientes que operam sobre o sistema há décadas”, afirma Guilherme Chiaramonti, cofundador e diretor de fusões e aquisições da Canopy.

Produtos de missão crítica são aqueles cuja interrupção pode comprometer atividades essenciais do cliente. No agronegócio, isso inclui o controle de estoques, contratos, pagamentos, recebimento de cargas e movimentação das mercadorias.

Essa característica aumenta o custo de substituição do software e tende a produzir relações comerciais mais longas. Também exige estabilidade, suporte técnico e conhecimento aprofundado sobre a rotina das empresas atendidas.

Aquisição marca entrada no agronegócio

A compra representa o primeiro investimento da Canopy no agro. A companhia pretende usar a Maxicon como base para construir uma plataforma mais ampla de tecnologia voltada ao setor.

Para Thiago Rocha, fundador e CEO da Canopy, a digitalização do agronegócio brasileiro ainda oferece espaço para empresas especializadas.

“O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira e continua avançando em sua transformação digital. Entrar nesse mercado por meio da Maxicon representa a oportunidade de construir uma plataforma em um segmento estratégico”, afirma.

A estratégia pode envolver a expansão dos produtos atuais, o desenvolvimento de novas funcionalidades e outras aquisições dentro da cadeia.

O mercado de software para o agro é fragmentado e possui empresas especializadas em áreas como gestão financeira, originação de grãos, logística, agricultura de precisão, armazenamento e comercialização.

A Canopy aposta que a consolidação pode gerar escala, integrar soluções e ampliar a oferta aos clientes.

Compra ocorre após aporte de US$ 100 milhões

O avanço sobre o agronegócio acontece um ano depois de a Canopy captar US$ 100 milhões com os fundos Bessemer Venture Partners e Cloud9 Capital.

Os recursos levantados em julho de 2025 passaram a financiar uma estratégia de crescimento baseada na aquisição de empresas de tecnologia para mercados específicos.

Antes da Maxicon, a companhia comprou a Solus Saúde, que desenvolve sistemas para operadoras de planos de saúde, e a Topcon, especializada em tecnologia para concreteiras e empresas de infraestrutura.

Com isso, a Canopy passa a atuar em três verticais: saúde, construção e agronegócio.

O modelo difere da aquisição convencional seguida por uma incorporação completa. A empresa afirma preservar marcas, equipes e relações comerciais, enquanto introduz práticas de governança e apoia a expansão.

A tese também oferece uma alternativa de sucessão para fundadores que desejam reduzir sua participação na administração sem encerrar a empresa ou vender o negócio a um concorrente direto.

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