O presidente-executivo do UBS Group, Sergio Ermotti, planeja deixar o comando do banco em abril de 2027, conforme reportado pelo Financial Times nesta terça-feira (13). O executivo, que já havia liderado a instituição entre 2011 e 2020, foi recontratado em 2023 com a missão específica de orquestrar a histórica aquisição e integração do rival Credit Suisse após o colapso da instituição.
A saída planejada para 2027 coincide com o cronograma de finalização da integração entre os dois gigantes bancários suíços, prevista para ser concluída “substancialmente” até o final de 2026.
Sob a gestão de Ermotti, o UBS viu suas ações valorizarem quase 30% no último ano, acumulando uma alta de mais de 100% desde o anúncio da compra do Credit Suisse, o que reflete a confiança do mercado na condução do processo.
Nos bastidores, o nome de Aleksandar Ivanovic, atual chefe de gestão de ativos do UBS, surge como um dos favoritos para suceder Ermotti. A transição de liderança ocorre em um momento de tensão regulatória, em que o banco contesta propostas do governo suíço para endurecer as regras de capital. Ermotti tem sido uma voz ativa contra essas medidas, classificando as novas exigências como inaceitáveis para a competitividade global da instituição.
Após o colapso do Credit Suisse, o governo suíço está sob pressão para garantir que o UBS nunca precise de um resgate estatal. A discussão central gira em torno do aumento drástico nas exigências de capital. Se as novas regras forem aprovadas, o UBS poderá ser obrigado a manter dezenas de bilhões de dólares a mais em reservas, o que reduziria a rentabilidade para os acionistas e o capital disponível para expansão.
Sergio Ermotti tem sido enfático ao dizer que o excesso de regulação na Suíça pode prejudicar o banco em sua competição global com gigantes americanos como o JPMorgan. O próximo CEO precisará equilibrar as demandas dos políticos suíços, que buscam estabilidade interna, com a necessidade de manter o UBS competitivo em Nova York, Londres e Ásia.
O colapso do Credit Suisse foi acelerado por uma corrida bancária digital extremamente rápida. A partir de 2027, o sucessor terá de implementar novos modelos de liquidez que satisfaçam o Banco Nacional Suíço (SNB). O objetivo é garantir que o banco consiga honrar saques massivos em questão de horas, sem depender de linhas de crédito emergenciais do governo.








