A China encerrou o ano de 2025 com um volume recorde de importação de soja, totalizando 111,83 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 6,5% em relação ao ano anterior.
Os dados, divulgados pela alfândega chinesa nesta quarta-feira, revelam que o país intensificou drasticamente as encomendas da América do Sul. O movimento foi impulsionado pelo receio de uma escassez de oferta caso o conflito comercial com Washington se prolongue, levando os compradores a buscarem segurança em produtores sul-americanos, com destaque para Brasil e Argentina.
De acordo com Liu Jinlu, pesquisador da Guoyuan Futures, esse crescimento recorde foi sustentado por embarques concentrados no primeiro semestre. A estratégia de antecipação de compras em larga escala ocorreu devido ao aumento da incerteza geopolítica durante o segundo e terceiro trimestres de 2025, período em que a guerra comercial entre Pequim e os Estados Unidos sofreu uma nova escalada. Esse cenário forçou as usinas de esmagamento chinesas a garantirem estoques preventivos, alterando o fluxo tradicional de abastecimento global da oleaginosa.
No mês de dezembro, as chegadas de soja somaram 8,04 milhões de toneladas, um leve avanço de 1,3% no comparativo anual, mas que registrou atrasos operacionais.
Segundo Wang Wenshen, analista da Sublime China Information, gargalos no desembaraço alfandegário retardaram o fluxo do grão, levando algumas indústrias a suspenderem operações ou reduzirem entregas temporariamente. A expectativa para o início de 2026 é de uma oferta mais apertada, com projeções de importação de 7,48 milhões de toneladas em janeiro e 5,2 milhões em fevereiro.
Apesar da dominância sul-americana, o cenário começou a mostrar sinais de mudança após uma trégua comercial firmada no final de outubro. Pelo terceiro mês consecutivo, dezembro não registrou importações de soja dos EUA, mas a China já comprometeu a compra de aproximadamente 10 milhões de toneladas de soja americana recentemente.
Operadores indicam que o governo chinês já iniciou leilões de estoques estatais para liberar espaço de armazenamento, preparando-se para o fluxo de cargas dos EUA prometido para as próximas semanas.








