China prepara plano de US$ 295 bilhões para acelerar implantação de IA em todo o país, afirma Bloomberg

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Reuters / Thomas Peter

A China se prepara para investir cerca de 2 trilhões de iuanes — equivalente a aproximadamente US$ 295 bilhões — na construção de uma rede nacional de centros de dados nos próximos cinco anos, segundo reportagem da Bloomberg News publicada nesta terça-feira.

O plano faz parte do esforço de Pequim para desafiar a liderança americana na corrida pela inteligência artificial e consolidar sua posição tecnológica diante das crescentes restrições impostas pelos Estados Unidos ao acesso chinês a chips avançados.

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, principal órgão de planejamento econômico do país, está entre as agências governamentais envolvidas na elaboração do plano, que prevê a construção de centros de computação interconectados em todo o território chinês. Empresas estatais como a China Mobile e a China Telecom serão responsáveis pela operação da maior parte dos data centers e pela garantia de conectividade entre as instalações, segundo a reportagem, que cita fontes familiarizadas com o assunto.

Um elemento central do projeto é a aposta em fornecedores domésticos. O plano prevê que pelo menos 80% da tecnologia utilizada nos data centers — incluindo chips de IA — seja de origem local, efetivamente excluindo fabricantes americanas como Nvidia e Advanced Micro Devices da cadeia de suprimentos. A diretriz está alinhada com orientações já divulgadas pelo governo chinês no ano passado, que exigiram o uso exclusivo de chips de IA fabricados no país em novos projetos de data centers com qualquer tipo de financiamento estatal. A Huawei Technologies é apontada como um dos principais fornecedores domésticos nesse cenário.

O investimento planejado pela China ocorre em um contexto de expansão acelerada global na infraestrutura de IA. Espera-se que as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos gastem mais de US$ 700 bilhões somente neste ano para financiar seus planos de expansão em inteligência artificial — o que evidencia a escala do esforço necessário para competir no setor.

O plano quinquenal chinês, embora ambicioso, representa uma fração desse montante, mas sinaliza a determinação de Pequim em reduzir a defasagem tecnológica em relação aos americanos.

O projeto ainda está em fase inicial de discussão e seus detalhes podem mudar, segundo a Bloomberg. A China Mobile, a China Telecom e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma não responderam aos pedidos de comentário da Reuters. A iniciativa se enquadra no plano de política quinquenal do país, que delineou ambições de adoção agressiva da IA em toda a segunda maior economia do mundo, além de domínio em tecnologias emergentes como computação quântica e robôs humanoides — frentes consideradas estratégicas para a disputa tecnológica global nas próximas décadas.

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