Clima ruim eleva preços do trigo nos EUA

Os contratos futuros do trigo duro vermelho de inverno nos Estados Unidos atingiram nesta quinta-feira o patamar mais elevado em mais de um ano, impulsionados pela deterioração das condições climáticas nas Planícies norte-americanas. A combinação de seca persistente e o risco iminente de geadas severas colocou o mercado em alerta, superando as pressões de baixa vindas da ampla oferta global. Analistas apontam que dois terços da safra na região devem permanecer sob forte estresse hídrico e térmico pelo menos até o final da próxima semana.

A intensificação da seca foi confirmada pelos dados mais recentes do U.S. Drought Monitor, que revelaram um salto na gravidade das condições no Kansas, o principal estado produtor da commodity. Em apenas uma semana, a área classificada sob seca severa no estado subiu de 5% para 11%, evidenciando o rápido declínio da qualidade das lavouras. Esse cenário é agravado pela perspectiva histórica de que a área total plantada com trigo nos Estados Unidos para este ciclo poderá ser a menor registrada desde o início dos levantamentos, em 1919.

No mercado físico e financeiro, a percepção de que a safra está “retrocedendo” em termos de produtividade impulsionou as cotações em Kansas City. Os contratos para entrega em julho, que servem de referência para o trigo utilizado na panificação, subiram 16,50 centavos de dólar, encerrando o pregão a US$ 6,55 por bushel. Este valor representa o nível mais alto para o contrato desde março de 2025, refletindo o prêmio de risco que os investidores passaram a exigir diante da incerteza sobre a oferta futura.

O movimento de alta não se restringiu apenas ao trigo duro, contaminando também o trigo soft negociado em Chicago, variedade típica do Meio-Oeste americano. O cereal fechou com valorização de 4,75 centavos, cotado a US$ 6,065 por bushel, atingindo seu maior valor desde o início de abril. De acordo com consultorias especializadas, essa escalada é fruto de uma combinação de fatores técnicos e fundamentos climáticos, que forçaram os fundos de investimento a revisarem suas posições vendidas no mercado de grãos.

Apesar da crise específica no trigo dos EUA, o mercado global de commodities agrícolas ainda lida com uma oferta confortável em outras regiões do Hemisfério Norte, onde as condições de crescimento seguem favoráveis. Esse contraste de fundamentos impediu que outros grãos acompanhassem o rali do trigo nesta quinta-feira. O milho encerrou a sessão em queda, cotado a US$ 4,485 por bushel, enquanto a soja recuou para US$ 11,6375 por bushel, devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior.

A atenção dos operadores agora se volta para a extensão real dos danos causados pelo frio intenso e pela falta de chuvas nas próximas semanas. Caso as previsões de geada se confirmem sobre as plantas já fragilizadas pela seca, o potencial produtivo dos Estados Unidos poderá sofrer um corte ainda mais drástico, o que manteria a pressão de alta sobre os preços internacionais. Por ora, a resiliência das cotações do trigo atua como um ponto fora da curva em um setor que vinha sendo pressionado pela colheita abundante em outros países exportadores.

Sair da versão mobile