Um estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que a proposta de reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas — incluindo o fim da chamada escala 6×1 — pode elevar os custos de empresas brasileiras entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano.
Essa estimativa representa um acréscimo de até 7% na folha de pagamento das empresas no país, segundo a entidade.
Duas formas de compensar a jornada
Para manter o mesmo nível de horas trabalhadas, o estudo considera dois cenários:
- Pagamento de horas extras aos funcionários atuais;
- Contratação de novos empregados.
No cenário das horas extras, a projeção indica aumento de até R$ 87,8 bilhões apenas na indústria. Por outro lado, contratar novos trabalhadores pode representar um gasto adicional de R$ 58,5 bilhões ao ano.
Setores e tamanho da empresa influenciam impacto
O levantamento da CNI também mostra que, proporcionalmente às folhas salariais, o impacto pode ser ainda maior nas atividades industriais, podendo alcançar 11,1%.
Entre os setores com maiores pressões de custo estão:
- Indústria da construção;
- Indústria de transformação;
- Comércio e agropecuária.
Além disso, empresas de menor porte tendem a sentir maior impacto proporcional nos custos, seja no cenário de horas extras, seja na contratação de mais pessoal.
Efeitos mais amplos na economia
A CNI alerta ainda que, além do custo direto para as empresas, a mudança pode afetar indicadores macroeconômicos, como a produção, a competitividade e, potencialmente, o Produto Interno Bruto (PIB).
Essa avaliação foi divulgada enquanto a proposta de alteração da jornada e do fim da escala 6×1 ainda está em debate na Câmara dos Deputados, aguardando definição de relatoria para avançar no Congresso.
