O avanço da colheita de soja da safra 2025/26 no Brasil atingiu 61% da área cultivada até a última quinta-feira, segundo levantamento da consultoria AgRural divulgado nesta segunda-feira (16). O índice representa um salto de dez pontos percentuais em relação à semana anterior (51%), mas ainda permanece abaixo dos 70% registrados no mesmo período da safra passada.
De acordo com a consultoria, este é o ritmo de colheita mais lento observado desde o ciclo 2020/21. O foco do setor produtivo agora se volta para as variações climáticas extremas que atingem as áreas de ciclo mais tardio, afetando tanto o desenvolvimento das plantas quanto a logística de retirada dos grãos.
A situação mais crítica é observada no Rio Grande do Sul, onde a estiagem já provocou perdas consolidadas na produção. Segundo a AgRural, as chuvas registradas na última semana foram insuficientes para recuperar a umidade do solo.
Em contrapartida, nas regiões Norte e Nordeste, o desafio é o inverso: embora as precipitações tenham diminuído, o excesso de umidade retida nos grãos ainda compromete o ritmo de colheita e o recebimento da produção nos armazéns.
No mercado de milho, o plantio da safrinha na região Centro-Sul alcançou 91% da área estimada, ante 82% na semana anterior. Apesar da aceleração dos trabalhos nos últimos dias, o atraso é evidente quando comparado aos 97% registrados há um ano.
A consultoria alerta que cerca de 1,3 milhão de hectares ainda não foram semeados no Centro-Sul, volume significativamente superior ao meio milhão de hectares pendentes no mesmo período de 2025.
O atraso na colheita da soja acabou empurrando o plantio do milho para fora da janela ideal em diversas regiões, aumentando o risco climático para o desenvolvimento da segunda safra.
