Combustível de aviação registra nova redução com ajuste da Petrobras

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira uma redução de 14,2% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir de junho, o que corresponde a uma diminuição de R$ 0,93 por litro em relação ao mês anterior. A queda marca uma inflexão após meses de aumentos consecutivos que pressionaram fortemente os custos do setor aéreo.

Segundo a estatal, o recuo reflete a “atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais” provocado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. O conflito na região havia impulsionado os preços do petróleo e de seus derivados desde março, elevando o custo operacional das companhias aéreas a patamares não vistos desde a pandemia de Covid-19. Esse cenário foi agravado pela valorização do dólar frente ao real, uma vez que a política de preços da Petrobras para o setor é atrelada tanto ao mercado internacional quanto à taxa de câmbio, exercendo dupla pressão sobre as empresas nacionais.

Como o QAV representa historicamente entre 35% e 40% dos custos operacionais totais das companhias aéreas brasileiras, qualquer oscilação nas refinarias impacta imediatamente o fluxo de caixa do setor. Os ajustes do combustível pela Petrobras ocorrem todo início de mês, conforme previsto em contratos com as distribuidoras.

Apesar da redução anunciada para junho, o acumulado do ano ainda registra alta expressiva: no comparativo com o preço vigente em dezembro de 2025, o QAV acumula aumento de 54,5%, equivalente a um acréscimo de R$ 1,98 por litro — o que evidencia o impacto significativo que o insumo exerceu sobre as margens das empresas nos últimos meses.

A notícia deve ser bem recebida pelo setor aéreo brasileiro, que vinha sendo duramente pressionado pela escalada de preços. Companhias como Gol, Azul e Latam repassaram parte dos custos adicionais aos passageiros por meio de reajustes de tarifas e taxas de bagagem ao longo dos últimos meses. A redução anunciada para junho oferece algum alívio operacional, ainda que o patamar de preços permaneça substancialmente acima do registrado no início do ano.

Contudo, o reflexo dessa queda no preço final das passagens aéreas não deve ser imediato ou linear. Devido à antecedência na comercialização dos bilhetes e às estratégias de proteção financeira (hedging) adotadas pelas companhias, o alívio nas bombas será absorvido de forma gradual. Além disso, com a proximidade da alta temporada de inverno e das férias de julho, a forte demanda sazonal e a necessidade de recomposição das margens de lucro das empresas tendem a ditar o ritmo das tarifas, indicando que uma redução agressiva nos preços ao consumidor ainda depende de um cenário de estabilidade mais prolongado.

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