Todos nós temos sistemas de valores, conscientes e inconscientes, e através deles, avaliamos o outro. Muitos desses conceitos, ou pré-conceitos, são frutos da nossa herança familiar, do meio em que crescemos, são fomos adquiridos ao longo da nossa vida.
Deixada livre e solta, nossa mente vai ouvir o que quiser ouvir e ver o que quiser ver. O nosso inconsciente nos conduz silenciosamente as nossas escolhas e reforçando as nossas convicções através do viés de confirmação. Diante de um acontecimento, buscamos construir uma narrativa que valide a nossa crença, criando um processo de retroalimentação. A nossa mente é pouco exigente, se contenta com uma explicação simples, indiferente se está baseada em evidências ou não.
É normal uma pessoa que tenha sido vítima de um golpe dizer: “nossa, ele parecia tão simpático, tão honesto”. Ou, quando recebemos alguma mensagem pelo celular com alguma proposta suspeita, a foto é sempre de uma pessoa alinhada.
Os golpistas sabem melhor que nós, quais são os valores que orientam o nosso inconsciente. Um golpista antipático não terá futuro. É mais fácil uma pessoa bem vestida, com boa aparência e simpática transmitir confiança do que uma pessoa em condição oposta.
Ter pré-conceito faz parte da nossa herança genética. Era uma condição de sobrevivência. Imagine um homem na pré-história, ele não tinha tempo para avaliar se o animal à sua frente era um gato grande ou leão. Qualquer coisa que parecesse leão acendia alerta geral e ele buscava proteção.
Portanto, a questão não é ter preconceito ou não, mas saber quais são os pré-conceitos que carregamos e como eles afetam o nosso julgamento e nossas ações.
Todos queremos estabelecer relações de confiança em todas as esferas, mas como identificamos uma pessoa em quem podemos confiar? Quanto dos nossos pré-conceitos influenciam esse julgamamento? Existe alguma forma mais objetiva para se avaliar?
Gostar de uma pessoa não é nem condição necessária e muito menos suficiente. Muitas escolhas dão errado porque nos baseamos no afeto que nutrimos pela pessoa. Gostar não significa que se possa confiar na pessoa. Quem já não teve um amigo do qual gostava, mas que não podia contar com ele.
Isso já nos dá a primeira pista para estabelecermos a base sob a qual repousa a confiança: competência! Por exemplo, se eu for delegar qualquer atividade, o primeiro atributo com o qual deveria me preocupar é se a pessoa é competente, se será capaz de executar o serviço.
Mas, imagine que essa pessoa, apesar de ser competente, não teve um comportamento ético em outras ocasiões. Com certeza você ficará em dúvida e perderá confiança nessa pessoa.
Mas se a pessoa for ética e não for competente? Em condições normais, você não deveria confiar o serviço a essa pessoa.
O que temos então, é que as duas condições: competência e comportamento ético devem acontecer simultaneamente. Sem um dos pilares não é possível estabelecer uma relação de confiança.
Confiar e gostar são duas questões diferentes. No caso de serem coincidentes, melhor dos mundos. E qual importância disso no mundo corporativo?
Relações de confiança economizam tempo. Tempo é o recurso mais valioso e escasso, ele não está disponível para compra no mercado.
Você já reparou que, quando está trabalhando com pessoas com as quais tem uma relação de confiança recíproca os processos de decisão são muito mais simples e rápido?
Quando você trabalha com pessoas éticas, você não fica desperdiçando tempo conjecturando que possível armadilha pode estar escondida, ou a melhor maneira de não se comprometer caso algo dê errado.
Se você quer ganhar tempo, fomente relações de confiança. Como disse, ela está ancorada sob dois pilares: competência e comportamento ético. O primeiro é mais fácil de observar, já o segundo requer um olhar atento aos pequenos detalhes.