Confiança do setor de serviços tem nova queda em março, segundo FGV

O setor de serviços no Brasil registrou, em março, a segunda queda consecutiva no Índice de Confiança de Serviços (ICS), que recuou 1,8 ponto, atingindo o patamar de 88,4 pontos. Segundo os dados divulgados nesta segunda-feira (30) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o resultado foi impulsionado por uma deterioração acentuada nas expectativas dos empresários, refletindo um cenário de cautela para o curto e médio prazo.

Enquanto o Índice de Situação Atual (ISA-S) apresentou uma estabilidade com viés de alta (+0,1 ponto, para 92,5), o Índice de Expectativas (IE-S) despencou 3,7 pontos, recuando para 84,4 pontos.

A divergência entre o presente e o futuro sugere que, embora o ritmo de atividade no primeiro trimestre tenha sido favorável, há uma percepção de esgotamento desse fôlego.

Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE, destaca que a percepção positiva sobre a demanda corrente indica uma evolução da atividade no período, mas que o otimismo para os próximos meses está sendo minado por fatores externos. O setor parece estar “vivendo o dia a dia”, mas teme o que virá a seguir.

Entre os principais fatores que limitam o avanço da confiança, destaca-se o aumento da turbulência internacional, especialmente o conflito no Oriente Médio.

Apesar de o Banco Central ter iniciado um ciclo de cortes na Selic — reduzindo a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, neste mês —, o mercado teme que a disparada nos preços do petróleo pressione a inflação doméstica e force uma condução ainda mais conservadora da política monetária. Esse clima de incerteza global acaba pesando mais nas avaliações empresariais do que o alívio imediato proporcionado pela queda dos juros.

O setor de serviços, que é o principal motor da economia brasileira, atravessa um momento de “descompasso” entre o que está acontecendo agora e o que se espera para o futuro.

Abaixo, apresento um comparativo entre os dados de confiança da FGV (março/2026) e o desempenho real consolidado pelo IBGE no último relatório do PIB:

Confiança (Expectativa) vs. PIB (Realidade)

IndicadorConfiança (FGV – Março/2026)Desempenho Real (PIB – Fechamento 2025)
Resultado GeralQueda: O índice recuou para 88,4 pontos.Alta: O setor cresceu 1,8% no acumulado de 2025.
Momento AtualResiliente: O ISA-S subiu para 92,5, indicando que o faturamento hoje ainda é estável.Sólido: O volume de serviços subiu 0,8% no 4º trimestre de 2025.
Perspectiva FuturaPessimista: O IE-S caiu para 84,4, o menor nível recente.Moderada: O Banco Central projeta alta de 1,6% para 2026.

Historicamente, os índices de confiança da FGV costumam antecipar as tendências do PIB em cerca de 3 a 6 meses. A queda contínua da confiança em fevereiro e março acende um sinal amarelo para o resultado do PIB de serviços no primeiro semestre de 2026.

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