1 em cada 5 brasileiros acredita nas promessas de sustentabilidade das marcas

(Reprodução/Getty Images)

A confiança nas marcas sustentáveis segue baixa entre os consumidores brasileiros. Segundo uma pesquisa inédita divulgada em 2026, apenas 18% dos brasileiros acreditam que as empresas realmente cumprem o que prometem sobre sustentabilidade.

O levantamento foi realizado pelas empresas Ilumeo, Ecomunica e Weleda com 760 entrevistados entre março e abril deste ano. Os dados mostram um cenário de crescente desconfiança em relação ao discurso ESG das empresas.

O estudo aponta que apenas 11% dos consumidores conseguem diferenciar práticas sustentáveis reais de ações de greenwashing.

Consumidor quer provas, não discurso

A baixa confiança nas marcas sustentáveis reflete um comportamento mais crítico do consumidor brasileiro. Segundo a pesquisa, 88% dos entrevistados afirmam estar dispostos a fazer mais pelo meio ambiente, mas apenas 17% sabem se os produtos que compram são realmente sustentáveis.

Apenas 13% dizem verificar regularmente as informações ambientais divulgadas pelas marcas.

Especialistas afirmam que o excesso de campanhas genéricas sobre ESG acabou gerando uma espécie de “fadiga do discurso” entre os consumidores.

Greenwashing aumenta desconfiança

O debate sobre greenwashing ganhou força nos últimos anos. Atualmente, consumidores cobram mais transparência, dados concretos e comprovação das práticas ambientais das empresas.

Especialistas apontam que campanhas superficiais de sustentabilidade podem prejudicar reputação e credibilidade das marcas.

Discussões em comunidades online também mostram aumento do ceticismo sobre o uso do ESG apenas como estratégia de marketing.

Sustentabilidade influencia decisões de compra

Apesar da desconfiança, a sustentabilidade continua impactando o comportamento do consumidor. Segundo o estudo, 49% dos brasileiros deixariam de comprar produtos de uma empresa ao descobrir que ela não é sustentável.

Entre consumidores considerados mais engajados ambientalmente, esse percentual sobe para 77%.

Setores como alimentos, cosméticos, farmacêuticos e veículos aparecem entre os mais pressionados por práticas socioambientais.

Transparência virou diferencial competitivo

A crise de confiança nas marcas sustentáveis aumentou a importância da transparência corporativa. Pesquisas recentes mostram que consumidores valorizam empresas que explicam detalhadamente seus impactos ambientais e ações de mitigação.

Segundo levantamento divulgado pela Exame, 77% dos brasileiros confiam mais em marcas que mostram com clareza como reduzem impactos ambientais e apresentam provas concretas de suas ações ESG.

Consumidores passaram a valorizar certificações, rastreabilidade e prestação de contas mais detalhada.

Selos e certificações ganham relevância

Diante da baixa confiança, consumidores buscam mecanismos externos de validação. Segundo o estudo, 57% dos brasileiros utilizam selos e certificações como principal referência para avaliar sustentabilidade das empresas.

Especialistas afirmam que auditorias independentes e relatórios transparentes tendem a ganhar importância nos próximos anos.

Empresas como Natura e O Boticário aparecem frequentemente em rankings ligados à reputação ESG e confiança do consumidor.

Bancos entram na mira ambiental

Um dos dados considerados mais surpreendentes da pesquisa envolve o setor financeiro. Consumidores que vivem em áreas afetadas por eventos climáticos passaram a exigir mais responsabilidade ambiental também de bancos e instituições financeiras.

Especialistas afirmam que a agenda ESG deixou de se restringir a setores tradicionalmente ligados ao meio ambiente.

ESG se torna questão de credibilidade

O avanço do debate sobre sustentabilidade mostra que o ESG passou a influenciar diretamente reputação e competitividade empresarial. Atualmente, consumidores esperam ações concretas, transparência e coerência entre discurso e prática.

Além disso, empresas enfrentam pressão crescente de investidores, governos e consumidores por metas ambientais e sociais mais claras.

A baixa confiança nas marcas sustentáveis revela um novo momento do mercado brasileiro, em que sustentabilidade deixou de ser apenas narrativa institucional e passou a funcionar como teste real de credibilidade corporativa.

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