O volume de créditos comercializados por consórcios de máquinas agrícolas no Brasil recuou 13,4% entre janeiro e fevereiro de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (Abac). O resultado reflete um início de ano mais lento no agronegócio, com produtores rurais mais cautelosos diante de incertezas econômicas e custos elevados.
Nesse recorte específico, o valor total de créditos comercializados somou R$ 2,84 bilhões no primeiro bimestre. As vendas de novas cotas também registraram queda de 15,2%, somando 12,76 mil adesões, enquanto as contemplações — momento em que o consorciado pode efetivamente adquirir o bem — diminuíram 17,4%, totalizando 8,02 mil liberações.
Queda nas operações e fatores de cautela
A retração observada está associada a fatores como juros ainda elevados e preocupações com a rentabilidade das safras, que têm levado produtores a adiar investimentos de maior valor, como a compra de tratores e outros implementos agrícolas.
Apesar disso, o número de participantes ativos no segmento cresceu 6,5%, chegando a cerca de 472,6 mil consorciados, o que indica que a demanda ainda existe e pode ser retomada ao longo do ano.
Impacto no agronegócio e perspectivas
O desempenho mais fraco no consórcio de máquinas agrícolas segue o movimento de desaceleração mais amplo percebido no agronegócio em 2026, com menor ritmo de investimentos e cautela entre os produtores. No entanto, a modalidade continua relevante: ela ainda viabiliza aquisição de equipamentos essenciais para o setor e segue como opção de financiamento frente a outras alternativas de crédito.