Construção civil prevê aceleração dos lançamentos no 2º trimestre de 2026

A indústria da construção civil espera um aumento nos lançamentos de imóveis no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano, após um período de contenção provocado pela expectativa de mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida. A avaliação foi feita por representantes do setor nesta segunda-feira (25), durante apresentação dos dados do primeiro trimestre pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). “Tenho impressão de que houve represamento de lançamentos para as construtoras aproveitarem os novos valores de teto. Provavelmente, no segundo trimestre, vamos ter mais lançamentos do que no primeiro”, afirmou Celso Petrucci, economista do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de São Paulo (Secovi-SP).

Os números do primeiro trimestre refletem esse movimento de contenção. Os lançamentos de imóveis residenciais caíram 4,9% na comparação com o mesmo período de 2025 e despencaram 32,1% em relação aos últimos três meses do ano passado, segundo dados da Cbic. Petrucci minimizou o resultado, atribuindo parte da queda à sazonalidade típica do setor, em que os lançamentos do final de cada ano costumam ser maiores do que os do início do período seguinte.

No campo das vendas, o desempenho foi mais equilibrado. As transações de imóveis residenciais recuaram 2,6% em relação ao quarto trimestre de 2025, mas avançaram 4,1% na comparação anual — sinal de que a demanda segue ativa apesar do ambiente de juros elevados. O estoque também apresentou comportamento misto: queda de 3,5% na comparação trimestral, mas crescimento de 8,2% na relação anual, indicando reposição de oferta ao longo dos últimos doze meses.

O Minha Casa, Minha Vida continua sendo o principal sustentáculo do setor. Do total de imóveis vendidos no primeiro trimestre, 49% — equivalente a 54.510 unidades — corresponderam a imóveis do programa, ante 47% no mesmo período de 2025. “As vendas estão resistindo à Selic”, disse Petrucci. O vice-presidente financeiro da Cbic, Eduardo Aroeira, foi ainda mais direto: sem o MCMV, o setor “provavelmente estaria falando apenas de mercado de alto padrão por causa da taxa de juros”.

Aroeira, que assume a presidência da Cbic em 1º de julho, destacou uma preocupação adicional para o setor: a eventual redução da jornada de trabalho para o regime de 5×2 sem redução de salários. Segundo o executivo, a medida deve elevar os custos da construção de projetos do MCMV em cerca de 10%. “A preocupação é a forma como se vai fazer. É necessário ter prazo para as empresas ganharem em produtividade para que possamos compensar esse aumento de custo”, afirmou, acrescentando que o setor precisará de cerca de 288 mil trabalhadores adicionais para suprir a redução da carga horária sem atrasar a entrega de obras.

O conjunto dos dados do primeiro trimestre e as perspectivas para o segundo semestre pintam um quadro de resiliência moderada para a construção civil brasileira. O setor navega entre ventos favoráveis — como o MCMV e a demanda habitacional reprimida — e adversidades estruturais como a Selic elevada, o aumento de custos trabalhistas e a necessidade de ampliar a mão de obra qualificada. A recuperação dos lançamentos no segundo trimestre, se confirmada, será um termômetro importante sobre a capacidade do setor de manter o ritmo em um ambiente macroeconômico desafiador.

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