A Conta Comigo Digital criou uma infraestrutura para levar boletos de contas de consumo diretamente aos aplicativos de bancos e fintechs. A proposta é reduzir a fricção no pagamento de contas de água, luz, gás, telefone e impostos, eliminando etapas como procurar o boleto no e-mail, copiar código de barras ou depender do documento impresso.
A startup nasceu no Rio de Janeiro e hoje processa mais de 71 milhões de boletos por mês, que somam cerca de R$ 8,1 bilhões em valor de face. O serviço já opera no PicPay e está em negociação com outras instituições financeiras.
Entre as concessionárias conectadas à plataforma estão Copasa, Cemig, Aegea, TIM Brasil e Claro. Light e prefeituras também estão em processo de integração, segundo a empresa.
Plataforma conecta concessionárias e bancos
A Conta Comigo funciona como uma ponte entre empresas emissoras de contas e instituições financeiras. Hoje, uma concessionária que deseja entregar boletos dentro do aplicativo de um banco precisa negociar e integrar sua operação com cada instituição separadamente.
A proposta da startup é substituir esse processo por uma conexão única. A concessionária se integra à plataforma, o banco também, e o boleto passa a ser entregue diretamente no app da instituição financeira parceira.
Na prática, o cliente pode abrir o aplicativo do banco e visualizar uma conta a vencer, com aviso de prazo e opção de pagamento. A empresa cobra dos bancos por chamadas de API e das concessionárias por documento entregue. Os valores variam conforme o volume.
Solução mira espaço fora do DDA tradicional
A inspiração veio do DDA, o Débito Direto Autorizado, sistema usado para boletos registrados, como mensalidades escolares, seguros e pagamentos a fornecedores.
O problema é que boa parte das contas de consumo não entra nesse modelo. Boletos de água, luz, gás, telefonia e muitos tributos públicos ficam fora do DDA tradicional.
A Conta Comigo chama sua solução de “DDA das utilities”, termo usado para concessionárias de serviços públicos. Segundo a empresa, o Brasil registra entre 11 bilhões e 12 bilhões de boletos pagos por ano, e cerca de metade desse volume está ligada a arrecadação, concessionárias e setor público.
Startup mudou rota para virar infraestrutura
A ideia original surgiu em 2017 como um aplicativo para o consumidor organizar boletos em um só lugar. O produto chegou a 60 mil usuários ativos em 2019, sem investimento em mídia paga, segundo a empresa.
O modelo, porém, encontrou dificuldade para fechar a conta. A aquisição de usuários exigia investimento alto, e a recorrência não era suficiente para sustentar o crescimento.
A virada veio quando a Conta Comigo deixou de disputar a atenção direta do consumidor e passou a vender infraestrutura para bancos, fintechs e concessionárias. Em vez de convencer milhões de pessoas a baixar um novo aplicativo, a empresa passou a atuar por trás dos apps que os clientes já usam.
Bancos ganham uso, concessionárias reduzem fricção
Para bancos e fintechs, receber contas de consumo dentro do app pode aumentar a frequência de uso e abrir espaço para novas ofertas, como cartão, crédito e modalidades de pagamento.
Para as concessionárias, a entrega digital reduz dependência de boleto impresso, postagem e canais de cobrança mais caros. Também pode ajudar a diminuir golpes com boletos falsos, já que o documento é entregue por um canal fechado e autenticado.
A plataforma tem capacidade para processar até 4 milhões de boletos por hora. Segundo a empresa, o tempo de resposta da API para bancos fica abaixo de 800 milissegundos.
