Diesel pesa no caixa e expõe falhas de gestão nas transportadoras

O controle de combustível segue como um dos principais desafios financeiros das transportadoras brasileiras. Em um setor de margens apertadas, o diesel não pesa apenas pelo preço. Falhas operacionais, baixa rastreabilidade e falta de integração entre áreas também ampliam desperdícios e dificultam a previsibilidade financeira das empresas.

Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) citados pela Vilesoft, o diesel representa aproximadamente 35% dos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas no Brasil. É o item de maior peso na composição do frete.

A pressão se torna ainda maior em períodos de volatilidade nos preços. Mas, para especialistas em gestão, parte relevante das perdas vem de dentro da própria operação, especialmente quando abastecimento, manutenção, logística e financeiro não trabalham com dados integrados.

Planilhas ainda travam a gestão de combustível

Apesar do peso do diesel no caixa, muitas transportadoras ainda controlam abastecimentos por meio de registros manuais, planilhas e processos descentralizados.

Na prática, esse modelo dificulta auditorias, reduz a confiabilidade dos dados e impede uma leitura clara sobre o consumo por veículo, rota ou motorista. Também torna mais difícil identificar desvios, desperdícios e inconsistências entre o consumo real e os números registrados.

“O combustível não representa apenas o maior custo da operação. Ele também concentra um dos maiores riscos de perda financeira quando a empresa não possui controle integrado entre frota, abastecimento e gestão financeira”, afirma Roger Maia, fundador e CEO da Vilesoft.

A empresa, que atua há quatro décadas em gestão empresarial, afirma observar esse problema principalmente em PMEs que crescem e passam a lidar com operações mais complexas.

Falta de integração reduz previsibilidade

Entre os problemas mais comuns estão a dificuldade para calcular o custo real por viagem, baixa padronização entre filiais, demora na consolidação de indicadores e falhas na comparação entre abastecimento, rota e desempenho dos veículos.

Esse conjunto de fragilidades afeta a precificação do frete. Sem dados confiáveis, a transportadora pode subestimar custos, aceitar contratos menos rentáveis ou demorar para reagir a aumentos no preço do diesel.

“Em operações com margem apertada, pequenas perdas acumuladas ao longo do tempo podem comprometer significativamente o resultado financeiro da empresa”, explica Roger Maia.

A gestão de combustível também interfere em decisões de manutenção preventiva, renovação de frota, análise de motoristas e planejamento de rotas. Quando os dados ficam espalhados, o gestor perde capacidade de agir antes que o problema vire prejuízo.

Automação ganha espaço no transporte rodoviário

Para a Vilesoft, a automação se tornou uma das principais ferramentas para reduzir perdas no transporte rodoviário. Sistemas integrados permitem registrar abastecimentos em tempo real, vincular consumo a veículos, rotas e motoristas e cruzar dados operacionais com informações financeiras.

“Quando os dados operacionais não conversam com as informações financeiras, o gestor perde visibilidade da operação e passa a tomar decisões com menor precisão”, afirma Flávio Henrique Fonseca de Andrade, diretor de tecnologia da Vilesoft.

Com maior integração, a empresa consegue acompanhar indicadores de consumo, identificar padrões fora da curva e agir sobre pontos de perda. Isso reduz a dependência de conferências manuais e melhora a rastreabilidade da operação.

Controle de custos influencia competitividade

O impacto do combustível vai além da contabilidade. Em um mercado competitivo, a eficiência no consumo afeta diretamente a capacidade de uma transportadora disputar contratos, formar preço e expandir a operação.

“O controle deixa de ser apenas operacional e passa a ter impacto estratégico. Hoje, eficiência no consumo influencia diretamente competitividade, precificação de frete e capacidade de expansão da operação”, diz Flávio.

Segundo a empresa, transportadoras mais eficientes costumam ter processos padronizados de abastecimento, indicadores em tempo real, integração entre áreas e menor dependência de controles manuais.

Esse modelo aumenta a previsibilidade financeira e reduz vulnerabilidades em um setor já exposto a fatores externos, como oscilação do diesel, custos de manutenção, pedágios, mão de obra e condições das estradas.

Dados viram ferramenta de margem

A digitalização do controle de combustível aponta para uma mudança mais ampla na gestão logística. Em vez de tratar o abastecimento como uma rotina isolada, empresas passam a conectar essa informação à estratégia financeira e operacional.

“Cada vez mais, competitividade no transporte depende da capacidade da empresa de transformar dados operacionais em gestão eficiente de custos. Sem integração e rastreabilidade, isso se torna muito mais difícil”, conclui Roger Maia.

Para transportadoras, o desafio é transformar um dos maiores centros de custo da operação em uma área mais controlada, auditável e previsível. Em um setor pressionado por margens pequenas, reduzir perdas no diesel pode ser decisivo para preservar rentabilidade.

Sair da versão mobile