COP31: agenda ignora combustíveis fósseis

Foto: Reprodução

A COP31 e os combustíveis fósseis voltam ao centro do debate climático global. A conferência acontece na Turquia em novembro de 2026. O primeiro rascunho da Agenda de Ação da conferência elenca 14 temas prioritários e menciona a transição energética. No entanto, o documento não faz qualquer referência a combustíveis fósseis. Petróleo, gás e carvão ficaram de fora do texto. Isso chama atenção porque a queima desses insumos é a principal fonte de gases de efeito estufa e a maior causadora das mudanças climáticas.

A ausência dos combustíveis fósseis na agenda da COP31 não passou sem reação. Simon Stiell, chefe da Convenção do Clima da ONU, afirmou que estratégias de segurança nacional que ignoram a crise climática são perigosamente limitadas. Para ele, a energia limpa representa o caminho mais claro e barato para a segurança energética. Além disso, protege os países dos choques provocados por guerras e turbulências comerciais.

Turquia e Austrália em direções opostas

A postura da Turquia como anfitriã da COP31 explica, em parte, a omissão. Murat Kurum, ministro do Meio Ambiente e copresidente da conferência, alertou que a flexibilidade na implementação das metas climáticas é zero. Ao mesmo tempo, afirmou que os esforços para reduzir emissões não devem ocorrer às custas do crescimento econômico. A declaração aconteceu dias depois de a estatal Turkish Petroleum assinar novos acordos de exploração de petróleo e gás com a Chevron e a ExxonMobil.

A copresidência australiana adota postura contrária. Chris Bowen, ministro de Mudanças Climáticas e Energia da Austrália, pretende usar sua posição para pressionar a Arábia Saudita e outros petroestados. O objetivo é impedir que esses países bloqueiem o progresso nas cúpulas da ONU. A iniciativa segue apelo do ex-secretário de Estado americano John Kerry. Ele pediu à Austrália pressão direta sobre os maiores emissores mundiais, entre eles China, Rússia, Estados Unidos e Índia, para que desenvolvam um plano concreto de afastamento dos combustíveis fósseis.

O legado da COP30 e o caminho até novembro

A omissão da COP31 contrasta com os movimentos da presidência brasileira da COP30. André Corrêa do Lago, presidente da conferência, segue trabalhando em um documento sobre o fim dos combustíveis fósseis. O tema não entrou no texto final da COP30, realizada em Belém em novembro de 2025. Ainda assim, a presidência brasileira assumiu o compromisso de desenvolver um Mapa do Caminho e apresentá-lo na COP31.

O rascunho definitivo da Agenda de Ação ainda depende das reuniões climáticas de Bonn, na Alemanha, previstas para junho de 2026. Qualquer país pode solicitar a inclusão de novos itens na pauta. Em abril de 2026, Colômbia e Holanda organizam em Santa Marta uma conferência dedicada à eliminação gradual dos combustíveis fósseis. A iniciativa busca manter o tema vivo no debate multilateral. Diante da resistência turca, a pressão sobre o assunto deve crescer nos meses seguintes.

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