Os Correios receberam autorização do governo federal para vender seguros, títulos de capitalização, consórcios e outros serviços financeiros. A medida foi publicada nesta quinta-feira (14) no Diário Oficial da União e faz parte da tentativa de abrir novas fontes de receita para a estatal.
A empresa enfrenta uma crise financeira grave. Em 2025, registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais de três vezes o rombo de R$ 2,6 bilhões do ano anterior. Foram 14 trimestres seguidos de resultados negativos.
Outra frente liberada pela portaria é a atuação no mercado de telefonia celular, por meio de parcerias comerciais no modelo de operadora virtual, seguindo as regras da Anatel.
Correios poderão vender seguros, consórcios e títulos de capitalização
A portaria permite a oferta ou intermediação de seguros de automóvel, vida, residência e viagem. Também foram liberados bônus promocionais, cupons, vale-benefícios, certificados, consórcios, aplicações, créditos e títulos de capitalização.
Na prática, a estratégia prevê convênios com instituições financeiras para comercializar esses produtos pela rede dos Correios.
Cada serviço, porém, terá de passar antes por estudo de viabilidade econômico-financeira, com avaliação de retorno, investimento e margem de remuneração.
Telefonia celular entra no radar da estatal
No mercado de celular, os Correios poderão atuar como operadora virtual. Esse modelo permite vender planos usando a estrutura de uma operadora parceira.
A presença nacional e a ampla rede de atendimento podem ajudar na distribuição dos serviços. Ainda assim, a entrada no setor dependerá de acordos comerciais e do cumprimento das regras da Anatel.
Correios buscam novas receitas em finanças, telefonia e logística
Em meio à pressão sobre as contas, os Correios tentam reduzir a dependência dos serviços postais tradicionais e abrir frentes de receita em finanças, telecomunicações e logística.
Pela portaria, a estatal também poderá ampliar atividades logísticas, incluindo gestão de compras, recebimento de mercadorias, armazenagem, movimentação e separação de cargas.
Mesmo com a diversificação, a crise financeira ainda pode exigir reforço do caixa público. Em março, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que um novo aporte de capital em 2027 está previsto no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com bancos em 2025.









