Os Correios negociam a contratação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com um consórcio de bancos privados estrangeiros com atuação no Brasil, informou o jornal Valor Econômico. A operação, que contará com garantia da União, atrai o interesse de gigantes globais como Bank of America (BofA), Citi e Deutsche Bank, e pode ser liquidada ainda neste mês de julho.
A captação ocorre sob forte pressão sobre o caixa da estatal, que acumula 14 trimestres consecutivos de perdas. A empresa encerrou o ano fiscal de 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões e iniciou o primeiro trimestre de 2026 com um resultado negativo de R$ 3,16 bilhões.
Estrutura e Custos da Captação
O volume de R$ 7 bilhões em negociação é ligeiramente inferior ao teto de R$ 8 bilhões autorizado para este ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para operações com garantia do Tesouro. Segundo o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, a redução do montante reflete medidas internas recentes de alívio de liquidez.
Os parâmetros financeiros da nova rodada devem espelhar as condições do megafinanciamento de R$ 12 bilhões captado pela empresa em 2025 junto a um pool de bancos nacionais (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander). Naquela ocasião, a taxa foi fixada em cerca de 115% do CDI — abaixo do teto de 120% exigido pelo Tesouro Nacional para conceder o aval da União. O plano plurianual de socorro à empresa ainda prevê aportes fiscais diretos do governo federal de, no mínimo, R$ 6 bilhões até 2027.
Tensão Sindical e Recuo no Ajuste
Paralelamente à busca por liquidez bancária, a diretoria dos Correios enfrenta resistência no front operacional para implementar seu plano de reestruturação. Para evitar uma greve nacional iminente, a gestão de Emmanoel Rondon recuou temporariamente de medidas duras e suspendeu o fechamento planejado de agências e centros de distribuição até o dia 31 de julho de 2026, além de aceitar a revisão de cortes em gratificações de funcionários.
Apesar de o recuo ter contido a paralisação imediata das atividades, os sindicatos permanecem em estado de alerta. A cúpula da estatal reforça internamente que o programa de austeridade — que inclui o fechamento definitivo de unidades deficitárias e o lançamento de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) — terá de ser retomado logo após o término do prazo de negociação.
Fôlego Comercial de R$ 2,3 Bilhões
Como contrapeso à crise de caixa, a estatal garantiu uma importante linha de receita recorrente para os próximos anos. Os Correios fecharam um novo contrato comercial de R$ 2,3 bilhões com o Banco do Brasil (BB) para os próximos cinco anos, substituindo o acordo que expirou no último dia 10 de julho.
Efetuado por dispensa de licitação sob a justificativa de inviabilidade de competição para a capilaridade exigida, o contrato prevê que a estatal lidere os serviços de logística, transporte de cartões, talões de cheque, notificações judiciais e correspondências corporativas do BB no Brasil e em escritórios no exterior.
