A inflação ao consumidor nos Estados Unidos registrou uma alta de 0,3% em dezembro, confirmando as expectativas de analistas e consolidando a percepção de que o Federal Reserve (Fed) manterá as taxas de juros inalteradas na reunião de janeiro.
Segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Departamento do Trabalho, o índice acumulado em doze meses fechou em 2,7%, repetindo o patamar observado em novembro.
O resultado de dezembro carrega um componente técnico importante: a correção de distorções causadas pela recente paralisação do governo norte-americano.
O “shutdown” de 43 dias havia prejudicado a coleta de dados em outubro e novembro, forçando o uso de métodos estatísticos temporários que reduziram artificialmente os índices anteriores. Com a normalização da coleta, os preços voltaram a refletir a realidade do mercado, eliminando o efeito dos descontos agressivos de fim de ano que haviam sido capturados tardiamente no mês anterior.
O núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, apresentou uma variação mensal de 0,2% e manteve-se em 2,6% na comparação anual.
Esses números, somados à queda na taxa de desemprego anunciada na semana passada, reforçam um cenário de “pouso suave” para a economia americana. A expectativa majoritária do mercado é que o banco central mantenha os juros na faixa de 3,50% a 3,75% no encontro marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.
Nos primeiros minutos após o anúncio, o dólar, que operava com uma alta de 0,18% (cotado a R$ 5,381), perdeu fôlego e passou a oscilar próximo à estabilidade, chegando a tocar a mínima de R$ 5,375. Esse movimento ocorreu porque a confirmação de uma inflação controlada nos EUA diminui a atratividade dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), incentivando os investidores a manterem capital em mercados que oferecem juros reais mais altos, como o Brasil.
Além disso, o fato de o núcleo da inflação ter se mantido em 2,6% trouxe segurança para os operadores de que a economia americana está, de fato, em uma trajetória de desinflação sustentada, apesar das distorções causadas pela paralisação do governo. Essa previsibilidade acalmou os ânimos na B3, onde o contrato futuro de dólar para fevereiro também reduziu sua variação positiva, refletindo um ambiente de menor aversão ao risco global.
