Crédito e políticas públicas ainda limitam expansão dos sistemas agroflorestais na Amazônia

(Apuí Agroflorestal/Divulgação)

O acesso limitado ao crédito rural, a ausência de políticas públicas específicas e a falta de assistência técnica estão entre os principais entraves para a expansão dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) na Amazônia. A avaliação foi apresentada durante debates da II Semana do Clima da Amazônia, que reuniu pesquisadores, produtores e representantes do setor para discutir estratégias de fortalecimento da bioeconomia na região.

Modelo combina produção agrícola e conservação

Os sistemas agroflorestais integram o cultivo de árvores com espécies agrícolas, promovendo a recuperação da vegetação, a conservação da biodiversidade e a diversificação da renda dos produtores rurais.

Além dos benefícios ambientais, especialistas afirmam que os SAFs aumentam a resiliência das propriedades diante das mudanças climáticas e reduzem a dependência de monoculturas.

Falta de crédito dificulta expansão

Apesar do interesse crescente de agricultores, o financiamento ainda representa um dos maiores desafios para ampliar o modelo.

Segundo participantes do evento, muitas instituições financeiras ainda não possuem parâmetros adequados para avaliar projetos agroflorestais, o que dificulta a concessão de crédito e limita investimentos em novas áreas.

Regularização e assistência técnica também preocupam

Outro obstáculo apontado é a necessidade de avançar na regularização ambiental e fundiária das propriedades.

Especialistas destacam que a ampliação da assistência técnica e da produção de estudos voltados ao manejo, à produtividade e à viabilidade econômica dos SAFs também é essencial para aumentar a confiança de produtores e agentes financeiros.

Pesquisa e políticas públicas são consideradas estratégicas

Os participantes defendem a criação de linhas de financiamento específicas, além da integração entre pesquisa científica, políticas públicas e mercado.

Na avaliação dos especialistas, o Brasil já reúne experiências bem-sucedidas em diferentes regiões da Amazônia, mas ainda precisa transformar esses exemplos em políticas capazes de ampliar a adoção do modelo em larga escala.

Bioeconomia depende de novos instrumentos

A expansão dos sistemas agroflorestais é considerada uma das principais estratégias para fortalecer a bioeconomia amazônica, conciliando produção, geração de renda e preservação da floresta.

Para os especialistas, superar os gargalos de crédito e criar instrumentos públicos voltados às características dos SAFs será decisivo para acelerar o desenvolvimento sustentável da região nos próximos anos.

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