A atividade industrial na zona do euro alcançou em março seu ritmo de crescimento mais acelerado em quase quatro anos, impulsionada, em grande parte, por distorções nas cadeias de suprimentos. Segundo dados da S&P Global, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor subiu para 51,6 no mês, superando os 50,8 registrados em fevereiro e consolidando-se acima da marca de 50 pontos, que separa a expansão da retração.
Apesar do avanço numérico, o cenário econômico permanece complexo. O conflito armado envolvendo o Irã tem provocado severas interrupções nas redes logísticas globais, resultando em atrasos nas entregas que inflam artificialmente os indicadores de crescimento.
Simultaneamente, a crise geopolítica elevou os custos de insumos, especialmente petróleo e energia, para o patamar mais alto desde outubro de 2022, ameaçando a estabilidade da recuperação industrial na região.
De acordo com Joe Hayes, economista-chefe da S&P Global Market Intelligence, o impacto da guerra no Oriente Médio já é visível no repasse de custos para os preços finais. Esse movimento visa preservar as margens dos fabricantes diante da inflação de insumos, que atingiu o pico em 41 meses, mas acaba por reduzir a competitividade dos produtos europeus no mercado global.
Embora a produção tenha crescido pelo terceiro mês consecutivo e as encomendas de exportação tenham mostrado sinais de estabilização, a demanda interna segue considerada fraca.
O relatório aponta ainda que o otimismo empresarial foi abalado pelas incertezas do conflito. A confiança das empresas recuou para o nível mais baixo em cinco meses, permanecendo abaixo da média histórica de longo prazo.
Enquanto o subíndice de novos pedidos — um termômetro para a demanda futura — manteve-se estável em relação a fevereiro, o crescimento real do setor ainda é visto com cautela devido à fragilidade do consumo e à pressão inflacionária persistente.
