A crise climática representa o maior desafio já enfrentado pela humanidade, segundo o neurobiólogo e escritor italiano Stefano Mancuso. A declaração foi feita durante a inauguração do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ e da Galeria VÃO, no Rio de Janeiro.
Ao abordar os impactos das mudanças climáticas, o pesquisador afirmou que o problema vai além de um fenômeno temporário e exige mudanças profundas na forma como a sociedade se relaciona com o meio ambiente.
Cientista vê risco para a sobrevivência da espécie
Durante o evento, Mancuso alertou para as consequências da continuidade do atual modelo de desenvolvimento.
“A crise climática é o problema mais grave que a humanidade já enfrentou em toda a sua história. Não se trata de uma crise passageira ou de um ciclo natural superável. Estamos diante de um risco real de extinção da nossa própria espécie se não mudarmos radicalmente a nossa relação com o planeta”, afirmou.
Segundo ele, um dos principais erros da humanidade foi acreditar que poderia existir de forma isolada da natureza e dos demais seres vivos.
Relação com as plantas é fundamental
Referência mundial em neurobiologia vegetal e professor da Universidade de Florença, Mancuso defende que a sobrevivência humana depende da compreensão do papel desempenhado pelas plantas nos ecossistemas.
Para o cientista, ignorar a dependência da sociedade em relação ao reino vegetal pode agravar ainda mais os efeitos das mudanças climáticas.
“Viver sob uma lógica de monocultura humana, como se pudéssemos existir isolados das outras espécies e sem depender diretamente delas, é uma ilusão perigosa que está nos conduzindo ao colapso”, declarou.
Defesa da ciência diante do negacionismo
Mancuso também criticou discursos que colocam em dúvida as evidências científicas sobre o aquecimento global.
“É uma tremenda estupidez tratar a ciência como se fosse apenas uma opinião, especialmente quando estamos discutindo a crise climática. A ciência trabalha com fatos, evidências e dados consolidados, não com pontos de vista subjetivos”, afirmou.
Pesquisas recentes mostram que os impactos das mudanças climáticas já são percebidos pela população brasileira. Levantamento divulgado em maio apontou que 85% dos brasileiros relatam sentir efeitos do clima extremo em seu cotidiano.
Cidades precisam se adaptar
Como uma das soluções para reduzir os impactos do aquecimento global, o cientista defende a ampliação das áreas verdes nas cidades.
Segundo ele, a remoção de parte das superfícies asfaltadas e a expansão da arborização urbana podem ajudar a reduzir temperaturas, melhorar a qualidade de vida e diminuir custos futuros relacionados a eventos climáticos extremos.
Mancuso argumenta que cidades que adotarem medidas preventivas agora terão menos prejuízos econômicos e sociais nas próximas décadas.
Mudanças climáticas preocupam diversos setores
O alerta ocorre em um momento em que os efeitos da crise climática se tornam cada vez mais evidentes. Estudos recentes apontam aceleração do degelo nas calotas polares, aumento da frequência de eventos climáticos extremos e maior vulnerabilidade de regiões costeiras.
No Brasil, pesquisas mostram que as mudanças climáticas já são consideradas o principal risco para o agronegócio, setor que enfrenta desafios relacionados a secas, enchentes e instabilidade climática.
Justiça pode acelerar mudanças
Além de políticas públicas e ações individuais, Mancuso destacou o papel do Judiciário na implementação de medidas ambientais.
Segundo ele, ações judiciais contra governos e empresas que descumprem compromissos ambientais têm se mostrado ferramentas importantes para pressionar por mudanças concretas.
Para o cientista, enfrentar a crise climática exigirá uma combinação de conhecimento científico, planejamento urbano, preservação ambiental e decisões políticas capazes de promover uma relação mais equilibrada entre sociedade e natureza.
