O mercado de capitais reagiu com intensa oscilação à troca de liderança na CVC Corp (CVCB3) nesta sexta-feira. Em um pregão marcado por movimentos bruscos, as ações da operadora de turismo chegaram a subir 3% pela manhã, atingindo R$ 2,79 — o maior patamar desde novembro de 2024 —, mas inverteram o sinal drasticamente à tarde, despencando quase 25% na mínima do dia (R$ 2,03). Ao final da sessão, os papéis suavizaram as perdas e fecharam com recuo de 10,74%, cotados a R$ 2,41. Apesar do tombo pontual, a companhia ainda sustenta uma valorização de 10% em 2026, consolidando a recuperação iniciada em 2025, quando saltou 56,5%.
A turbulência ocorre após o Conselho de Administração eleger Fabio Mader como o novo CEO, substituindo Fabio Godinho, que liderava a empresa desde 2023. Segundo Thiago Pedroso, responsável pela área de renda variável da Criteria, a troca na presidência pode ter injetado incerteza momentânea, mas o volume da queda parece mais associado a uma realização de lucros técnica após as fortes altas recentes do que propriamente a uma rejeição ao novo nome. A CVC justificou a mudança como o início de um “novo ciclo estratégico de expansão”, após o período de saneamento financeiro concluído pela gestão anterior.
Analistas do Citi e do Santander convergiram em uma avaliação “neutra a positiva” sobre a nomeação de Mader. O consenso é que Godinho cumpriu com êxito a missão de “turnaround”, supervisionando ofertas de ações, renegociações de dívidas e o fortalecimento de parcerias logísticas. Agora, a entrada de Fabio Mader — executivo com mais de 20 anos de setor e longo histórico na própria CVC — é vista como um passo natural para uma fase de foco em precificação, produto e rentabilidade. O Citi ressalta que a experiência técnica de Mader é o encaixe ideal para uma empresa que já estabilizou sua operação básica.
Apesar dos avanços operacionais, o otimismo do mercado permanece cauteloso. Ambas as casas de análise mantêm uma postura de atenção devido ao endividamento ainda considerado caro, o que limita o potencial de valorização das ações no curto prazo.
O desafio de Mader será equilibrar a busca por crescimento com a manutenção de um balanço saudável e a redução da alavancagem financeira. Para o Santander, a mudança não altera a tese de investimento, sendo interpretada como uma evolução da estratégia já em curso para tornar a CVC uma empresa mais eficiente e lucrativa.









