A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão temporária da oferta pública de aquisição de ações (OPA) da Neogrid (NGRD3). A decisão, comunicada pela companhia via fato relevante nesta terça-feira (13), ocorre em meio a um processo de fechamento de capital iniciado pela Dalpe Gestão e Participações em dezembro do ano passado, quando a proposta de compra foi fixada em R$ 29,00 por ação.
A interrupção do cronograma foi motivada pela intervenção de um acionista minoritário que detém mais de 10% das ações em circulação. O investidor solicitou formalmente a convocação de uma assembleia especial para contestar os termos atuais da transação.
O objetivo central da reunião será deliberar sobre a necessidade de um novo laudo de avaliação para determinar o valor justo da empresa, o que pode resultar em uma revisão do preço inicialmente proposto aos acionistas.
Este movimento é um mecanismo previsto na regulação de mercado para proteger investidores minoritários em processos de saída de bolsa. Com a suspensão, o registro da OPA junto à autarquia permanece sobrestado até que as definições da assembleia sejam concluídas e a CVM avalie a conformidade do processo. Até o momento, a Neogrid não divulgou a data prevista para o encontro de acionistas.
Esta suspensão da OPA da Neogrid (NGRD3) é um movimento clássico de resistência de minoritários em processos de fechamento de capital, fundamentado no Artigo 4º-A da Lei das S.A. (Lei 6.404/76). Tecnicamente, quando um grupo que detém mais de 10% das ações em circulação (o free float) questiona o laudo de avaliação, ele está exercendo o direito de revisão do preço, alegando que o valor proposto pela controladora (Dalpe) não reflete o valor intrínseco ou o potencial de geração de caixa da companhia.
A suspensão pela CVM não é uma proibição da oferta, mas uma interrupção burocrática necessária para que a governança interna se resolva. Do ponto de vista técnico, o mercado agora entra em um período de incerteza quanto ao “Preço de Saída”. Se a assembleia especial aprovar a contratação de uma nova consultoria avaliadora, dois cenários principais se desenham: um novo laudo com valor superior ao de R$ 29,00, o que forçaria a Dalpe a elevar a oferta ou desistir do fechamento; ou um laudo que valide o preço atual, enfraquecendo a posição dos minoritários dissidentes.
