DATAGRO projeta produção recorde de etanol no Brasil em 2026/27

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Etanol/Divulgação

A Datagro divulgou nesta quarta-feira, em Nova York, suas estimativas atualizadas para a safra 2026/27 do setor sucroenergético brasileiro. As projeções foram apresentadas por Plinio Nastari na 19ª edição da CITI ISO Datagro New York Sugar and Ethanol Conference, realizada durante a Sugar Week. Para o Centro-Sul do Brasil, a consultoria projeta moagem de 642,2 milhões de toneladas de cana, com produção de 40,98 milhões de toneladas de açúcar e 38,61 bilhões de litros de etanol de cana e milho.

Somada a produção estimada para o Nordeste, o Brasil deve moer 698 milhões de toneladas de cana na temporada, com produção total de 44,2 milhões de toneladas de açúcar e 41,4 bilhões de litros de etanol — números que consolidam o país como o maior produtor e exportador global de açúcar e um dos principais players no mercado de biocombustíveis.

No mercado internacional, a Datagro projeta um cenário de transição entre os dois anos-safra. Em 2025/26, o balanço global deve fechar com pequeno superávit de 0,57 milhão de toneladas.

Já em 2026/27, a estimativa aponta para déficit de 3,17 milhões de toneladas — inversão relevante que tende a dar suporte às cotações do açúcar nos mercados futuros ao longo dos próximos meses.

Os principais fatores que explicam a virada no balanço global são o mix de produção do Centro-Sul do Brasil mais orientado ao etanol nos primeiros meses da safra atual, os potenciais impactos da anomalia El Niño sobre a produção na Índia e na Indonésia, e a redução de área cultivada na Europa e na Tailândia. A combinação de menor oferta em mercados produtores relevantes com demanda global estável cria as condições para o aperto no balanço projetado para 2026/27.

No horizonte de longo prazo, a Datagro destaca o mercado de biocombustíveis como vetor crescente de demanda. Nastari apontou o setor de transportes marítimo e aéreo como a fronteira mais promissora, com etanol, metanol verde e biodiesel avançando como substitutos ao combustível convencional de navios.

A demanda adicional proveniente desse segmento pode chegar a 1,8 milhão de toneladas de biocombustíveis por ano até 2029, com potencial de expansão a até 72 milhões de toneladas anuais até 2050 — horizonte que reposiciona o etanol não apenas como combustível para veículos leves, mas como commodity estratégica na descarbonização do transporte global.

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