A Dell Technologies entrou de vez no grupo de empresas beneficiadas pela corrida global por infraestrutura de inteligência artificial. As ações da companhia chegaram a subir quase 40% no pré-mercado desta sexta-feira (29), depois que a fabricante de hardware divulgou uma projeção anual bem acima das expectativas de analistas.
A empresa estima receita de aproximadamente US$ 167 bilhões no ano fiscal que termina em janeiro de 2027. Desse total, US$ 60 bilhões devem vir da venda de servidores voltados para cargas de trabalho de IA.
O número supera com folga a previsão anterior da própria Dell, de cerca de US$ 140 bilhões, e também a estimativa média de analistas, que era de US$ 142,1 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Servidores de IA puxam nova fase da Dell
A Dell vem ganhando espaço porque empresas precisam de infraestrutura para treinar, rodar e escalar aplicações de inteligência artificial. Seus servidores são usados por companhias que alugam poder computacional, como CoreWeave e Nscale Global Holdings, além de clientes corporativos e grandes fornecedores de IA.
No trimestre encerrado em 1º de maio, a Dell registrou US$ 24,4 bilhões em pedidos de IA e US$ 16,1 bilhões em vendas de servidores de IA, segundo Jeff Clarke, diretor de operações da companhia.
“A oportunidade da IA não mostra sinais de desaceleração”, afirmou o executivo.
A carteira de pedidos de servidores de IA chegou a US$ 51,3 bilhões no fim do trimestre, outro sinal de que a demanda continua aquecida.
Receita trimestral supera projeções
A força da IA apareceu nos resultados do primeiro trimestre fiscal. A receita da Dell subiu 88%, para US$ 43,8 bilhões, acima da estimativa média de US$ 35,5 bilhões.
O lucro ajustado também surpreendeu. Excluindo alguns itens, a companhia registrou US$ 4,86 por ação, contra expectativa média de US$ 2,99.
Além dos servidores voltados para IA, a Dell também se beneficiou da demanda por servidores tradicionais com CPUs. A receita dessa divisão quase dobrou, chegando a US$ 8,5 bilhões no trimestre.
IA sai do treinamento e entra no uso real
A leitura da Dell é que a próxima etapa da inteligência artificial será marcada pelo crescimento do uso dos modelos em produção. Depois de uma fase concentrada em treinamento, empresas agora precisam rodar sistemas de IA no dia a dia, com respostas rápidas, estabilidade e menor custo operacional.
Esse movimento pode ampliar a demanda por infraestrutura além dos servidores mais sofisticados de IA. Segundo David Kennedy, diretor financeiro da Dell, a mudança cria oportunidades para um crescimento mais amplo e sustentável.
Na prática, a tese é que a IA corporativa não depende apenas de chips e modelos. Ela exige uma cadeia inteira de equipamentos, servidores, armazenamento, serviços e suporte para funcionar em escala.
Contrato militar amplia diversificação
A Dell também recebeu um reforço fora da frente de IA. As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram um contrato de US$ 9,7 bilhões com a empresa para apoio no gerenciamento de licenças de software da Microsoft.
Para analistas, o acordo ajuda a diversificar as fontes de crescimento da companhia. Amit Daryanani, da Evercore ISI, afirmou que o contrato dá à Dell uma frente adicional além de IA e clientes corporativos.
Essa diversificação importa porque o mercado observa de perto a capacidade da empresa de manter margens em um período de alta nos preços de chips de memória e componentes.
A unidade de computadores pessoais da Dell também teve desempenho positivo. A receita do segmento subiu 17%, para US$ 14,6 bilhões, impulsionada principalmente por vendas para empresas. A previsão média dos analistas era de US$ 12,9 bilhões.
