Depois de faturar R$ 1,9 bi, Estapar aposta em “Netflix do estacionamento” para crescer

A Estapar quer deixar de ser lembrada apenas como a empresa do estacionamento. Depois de faturar R$ 1,9 bilhão em 2025 e voltar ao lucro, a companhia prepara uma nova etapa de digitalização com o Zul+ Pass, plano de assinatura que deve permitir ao motorista usar a rede de estacionamentos sem pagar a cada parada.

A proposta ainda está em fase de testes, mas mostra a direção da empresa: transformar o aplicativo em um ecossistema de serviços para quem dirige. O Zul+ já reúne pagamento de Zona Azul, reserva de vagas, débitos veiculares, seguros, tag de pedágio, consórcio, empréstimo e recarga de carros elétricos.

Hoje, a Estapar opera 840 estacionamentos em 115 cidades e 21 estados, além de contar com cerca de 7 mil funcionários. A empresa também administra a Zona Azul de São Paulo e de outras 19 cidades, estacionamentos em aeroportos como Congonhas, Viracopos, Galeão, Fortaleza e Belém, além de arenas, shoppings e prédios corporativos.

App já responde por um quarto da receita

O avanço digital deixou de ser uma frente pequena dentro da operação. No primeiro trimestre de 2026, a plataforma formada pelo Zul+, Zona Azul de São Paulo e site respondeu por 25,3% da receita total da companhia.

Em março, o Zul+ tinha 9,3 milhões de usuários cadastrados e 2,7 milhões de usuários ativos por mês. A base ajuda a explicar por que a Estapar quer testar um plano mensal para concentrar mais serviços no mesmo ambiente.

A assinatura mira uma receita mais previsível. Hoje, os mensalistas tradicionais, aqueles que pagam um valor fixo para usar vagas em prédios comerciais e residenciais, representam entre 10% e 12% da receita total.

Com o Zul+ Pass, a empresa tenta levar essa lógica para uma experiência mais ampla, conectada ao aplicativo e à rede nacional de operações.

Do estacionamento ao marketplace do motorista

A virada digital da Estapar ganhou força em 2022, quando a empresa comprou a operação que daria origem ao Zul+. A integração foi concluída em 2023.

Desde então, o aplicativo passou a reunir serviços que vão além da vaga. O usuário pode pagar multas, parcelar débitos veiculares em até 12 vezes, contratar seguro auto, comprar tag de pedágio, reservar estacionamento em aeroportos e usar pontos de recarga para veículos elétricos.

A estratégia depende de parceiros. O seguro é vendido por uma corretora da Estapar, com a Porto Seguro entre as seguradoras. O empréstimo é oferecido pelo Banco Pan. A tag Zul+ funciona em parceria com a ConectCar e chegou a 198,4 mil unidades ativas em março, alta de 35,4% em um ano.

Para a Estapar, a lógica é simples: quanto mais serviços ligados ao carro estiverem dentro do app, maior a chance de o motorista voltar com frequência.

Tecnologia torna estacionamentos menores mais rentáveis

A digitalização também mudou a conta dos estacionamentos físicos. Antes, unidades menores podiam ser inviáveis por causa do custo de operação, principalmente com caixa, equipe e supervisão.

Com leitura automática de placas e pagamento digital, parte desses espaços passou a funcionar com menos funcionários. O motorista entra, a placa é identificada e a cobrança pode ser feita sem interação no caixa.

Esse modelo abre espaço para uma expansão mais leve, especialmente em prédios menores. No primeiro trimestre de 2026, a Estapar inaugurou 19 operações, incluindo os aeroportos de Fortaleza e Belém, o shopping Itaboraí, no Rio de Janeiro, e o estacionamento do prédio do Bradesco na Cidade de Deus, em Osasco.

No ano passado, foram 107 inaugurações, volume 30,5% superior ao de 2024. A taxa de saída de operações, conhecida como churn, ficou em 0,22% no primeiro trimestre.

Sair da versão mobile