Dia dos Namorados deve movimentar R$ 2,84 Bilhões no varejo, estima CNC

O comércio varejista brasileiro projeta faturar aproximadamente R$ 2,84 bilhões em vendas para o Dia dos Namorados deste ano, comemorado em 12 de junho. O balanço foi calculado e divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Caso a estimativa se confirme, o montante representará uma expansão real de 2,5% no volume de vendas em comparação com o mesmo período do ano anterior, já descontados os efeitos deflacionários do índice de preços.

De acordo com a análise macroeconômica da entidade, o desempenho comercial positivo é sustentado diretamente pelo dinamismo do mercado de trabalho doméstico, que vem registrando quedas sucessivas na taxa de desemprego e ganho real na massa de rendimento médio habitual dos trabalhadores.

A CNC destaca que o fortalecimento dos salários atua como o principal motor do consumo das famílias neste trimestre, injetando recursos novos na economia nacional. Esse fluxo de renda tem se mostrado suficiente para amortecer os impactos do aperto monetário — caracterizado por taxas de juros elevadas — e mitigar as condições severas e restritivas para a concessão de crédito ao consumidor.

Embora o segmento de vestuário, calçados e acessórios permaneça no topo do faturamento consolidado da data comemorativa, o comportamento de compra dos consumidores desenha trajetórias distintas entre as diferentes frentes do varejo. Lidera o volume financeiro com a previsão de movimentar R$ 1,116 bilhão, porém apresenta uma sutil retração de 1,4% no volume físico comercializado frente ao ano passado.

Lojas de farmácias e perfumarias despontam como o grande destaque de crescimento, projetando uma alta expressiva de 8,2% nas vendas e faturamento de R$ 875 milhões. O ramo de artigos de uso pessoal e doméstico deve registrar expansão de 4,3% em volume, impulsionado pela procura de dispositivos eletroeletrônicos, somando R$ 346 milhões.

O avanço projetado nas vendas ocorrerá mesmo diante do encarecimento real dos produtos mais procurados para a data. O monitoramento de preços realizado pela confederação apontou que a cesta típica de bens e serviços voltados para o Dia dos Namorados registrou uma inflação média de 5,8% em termos anuais.

Os maiores choques de preços concentraram-se em duas categorias específicas de presentes, cujos reajustes superaram os dois dígitos e foram justificados por gargalos estruturais nas cadeias de suprimentos globais. A primeiro categoria é o chocolate com forte valorização do produto final refletindo a crise de oferta do cacau. As safras agrícolas foram severamente prejudicadas por fatores climáticos adversos e doenças nas lavouras da África Ocidental (região responsável pela maior parte da produção global) e nas plantações do sul da Bahia. A segunda são as joias e bijuterias, onde o encarecimento é explicado pela escalada de preços e valorização histórica do ouro nos mercados financeiros internacionais, que atua como ativo de proteção diante das incertezas geopolíticas globais.

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