A dívida pública bruta do Brasil subiu para 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Banco Central. No mês anterior, o indicador estava em 80% do PIB.
O resultado ficou levemente acima da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que projetavam dívida bruta em 80,3% do PIB. Já a dívida líquida do setor público avançou para 67,4% do PIB, ante 66,8% em março, em linha com a projeção do mercado.
O aumento do endividamento ocorreu mesmo com um resultado primário positivo no mês. O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 24,624 bilhões em abril, acima da expectativa de R$ 22 bilhões.
Governo central puxou resultado positivo
O desempenho fiscal de abril foi sustentado principalmente pelo governo central, que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. Esse grupo registrou superávit primário de R$ 26,075 bilhões no período.
Estados e municípios também ficaram no azul, mas com saldo bem menor, de R$ 329 milhões. Já as estatais registraram déficit primário de R$ 1,781 bilhão, segundo os dados do Banco Central.
O superávit primário mostra a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida. Quando o resultado é positivo, indica que o setor público arrecadou mais do que gastou em suas despesas correntes, sem considerar os custos financeiros.
Endividamento segue em patamar elevado
Apesar do superávit, a alta da dívida bruta mostra que a trajetória fiscal brasileira segue pressionada. O indicador é acompanhado de perto pelo mercado porque mede o tamanho da dívida do governo em relação à economia do país.
Quando a dívida cresce como proporção do PIB, aumenta a preocupação com a capacidade do setor público de estabilizar suas contas ao longo do tempo. Essa leitura pode influenciar expectativas para juros, inflação, câmbio e confiança dos investidores.
O dado de abril também chega em um momento em que o mercado acompanha de perto a capacidade do governo de cumprir metas fiscais, controlar gastos e sustentar a arrecadação.
Superávit ajuda, mas não resolve o desafio fiscal
O saldo positivo de R$ 24,6 bilhões em abril é um dado favorável para as contas públicas no curto prazo. Ainda assim, um único mês de superávit não muda sozinho a tendência da dívida, especialmente em um cenário de juros elevados e despesas obrigatórias relevantes.
A dívida bruta considera o estoque total de obrigações do governo, enquanto o resultado primário mede o fluxo mensal das contas públicas. Por isso, é possível ter superávit em determinado mês e, ao mesmo tempo, aumento da dívida como proporção do PIB.
Para os próximos meses, a atenção seguirá voltada à combinação entre crescimento econômico, arrecadação, controle de despesas e custo dos juros. Esses fatores serão decisivos para indicar se a dívida conseguirá estabilizar ou se continuará avançando.
