O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, projetou um cenário de forte aceleração para a economia americana, prevendo que o Produto Interno Bruto (PIB) do país poderá crescer pelo menos 3,5% em 2026.
A declaração foi feita durante entrevista ao programa “The Will Cain Show”, da Fox News, na última sexta-feira, sinalizando otimismo em relação à capacidade de recuperação da maior economia do mundo.
Bessent aproveitou a oportunidade para contextualizar o desempenho recente do indicador, classificando o crescimento de 1,4% registrado no quarto trimestre como um resultado atípico e “acentuadamente menor” do que o potencial real.
Segundo o secretário, dois fatores principais mascararam o vigor econômico do período: a paralisação parcial do governo — descrita por ele como a mais longa da história — e as elevadas baixas contábeis de prejuízos reportadas pelas montadoras americanas.
Na avaliação do chefe do Tesouro, sem esses eventos extraordinários, o avanço do PIB no último trimestre de 2025 poderia ter sido entre 100 e 200 pontos-base superior ao número oficial. “Foi essa paralisação que causou o colapso do quarto trimestre”, afirmou Bessent, reforçando a tese de que a base de comparação atual está artificialmente baixa, o que pavimenta o caminho para a expansão robusta prevista para o próximo ano.
A fala do secretário ocorre em um momento em que o mercado monitora de perto a política fiscal e os impactos das decisões governamentais sobre o setor privado. Ao isolar os componentes que frearam a economia, Bessent tenta tranquilizar investidores e o público de que os fundamentos econômicos permanecem sólidos para 2026, projetando um salto significativo em relação aos patamares atuais.
O Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, elevou recentemente sua mediana de projeções, situando a expectativa de crescimento para 2026 em 2,3%. Essa revisão reflete a confiança da autoridade monetária na resiliência do mercado de trabalho e no consumo doméstico, superando a estimativa anterior que orbitava os 1,8%.
Por outro lado, organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a OCDE adotam uma postura mais cautelosa. O FMI projeta uma expansão de 1,7% para o período, citando o impacto residual de políticas tarifárias e incertezas comerciais globais como fatores que podem limitar um avanço mais expressivo. A OCDE segue uma linha semelhante, também estimando uma alta de 1,7%, sinalizando uma perda de fôlego em comparação aos anos anteriores.
