O avanço de um possível El Niño forte em 2026 já começou a entrar no radar do agronegócio e do mercado de commodities. Bancos como Bank of America e Santander veem um cenário ainda favorável para os preços de soja e milho, mas apontam riscos climáticos importantes para o segundo semestre.
O alerta chega, inclusive, em um momento de estoques mais apertados nos Estados Unidos e maior preocupação com o clima nas regiões produtoras. O primeiro relatório WASDE da safra 2026/27, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indicou estoques finais de soja abaixo do esperado pelo mercado.
Soja e milho podem ter preços pressionados
Na soja, o USDA projetou estoques finais de 8,4 milhões de toneladas nos Estados Unidos para 2026/27, número 15% abaixo do consenso do mercado. A relação estoque/uso caiu para 6,9%, abaixo da média histórica de 9%.
Para o Bank of America, esse cenário ajuda a explicar a alta recente da soja em Chicago. A commodity acumula valorização de 14% no ano, segundo o Money Times.
O milho também aparece em situação mais apertada. O USDA projeta a menor relação estoque/uso global desde 2012/13, em 21,1%, puxada principalmente pela redução da produção americana.
El Niño amplia incerteza para a próxima safra
O Santander avalia que o USDA pode estar otimista ao projetar produção recorde de 186 milhões de toneladas de soja no Brasil. O banco cita riscos ligados ao custo de produção, crédito mais restrito e possível redução de investimento tecnológico nas lavouras.
A preocupação deve aumentar caso o El Niño avance durante a janela de plantio. Segundo a MetSul, o fenômeno deve começar a atuar já nas próximas semanas e ganhar força no segundo semestre do ano, com maior risco de impactos no Brasil entre setembro e novembro.
Vale ressaltar ainda que, no Sul do país, o El Niño costuma aumentar a frequência de chuvas intensas, temporais e eventos extremos. No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno tende a reduzir as chuvas e elevar o risco de seca e queimadas.
Incêndios também entram no alerta global
Além do impacto sobre grãos, cientistas acompanham o risco de uma temporada global mais severa de incêndios. Segundo pesquisadores citados pelo BOL, mais de 150 milhões de hectares queimaram no mundo nos primeiros meses de 2026.
A área queimada por incêndios florestais no planeta já estaria mais de 20% acima do recorde anterior desde o início do monitoramento, em 2012. A África e a Ásia aparecem entre as regiões mais afetadas até agora.
Caso um El Niño forte se confirme, o segundo semestre pode elevar o risco de incêndios em áreas mais secas, inclusive no Norte do Brasil e no Pantanal.








