Grandes empresas chinesas, incluindo ByteDance, Alibaba e Tencent, fizeram pedidos de pelo menos US$ 16 bilhões em chips H20 da Nvidia nos primeiros três meses do ano, segundo fontes citadas pelo The Information nesta quarta-feira.
O H20 é atualmente o processador de IA mais avançado que pode ser legalmente vendido na China sob as restrições de exportação impostas pelos EUA. Em fevereiro, a Reuters já havia relatado um aumento na demanda por esses chips, impulsionado pelo crescimento dos modelos de IA de baixo custo desenvolvidos pela startup chinesa DeepSeek.
O forte interesse das gigantes chinesas da tecnologia destaca a corrida do país para fortalecer sua capacidade em inteligência artificial, mesmo diante das restrições comerciais dos EUA. O H20 é o principal chip que a Nvidia tem permissão legal para vender na China e foi lançado após a última rodada de restrições à exportação dos EUA entrar em vigor em outubro de 2023.
As restrições dos EUA às exportações de chips avançados para a China continuam a moldar o setor de semicondutores. Desde 2022, Washington proibiu a venda dos processadores mais sofisticados da Nvidia ao país, citando preocupações com o uso da tecnologia para fins militares.
Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou em fevereiro sua intenção de impor tarifas de cerca de 25% sobre semicondutores e produtos relacionados, o que pode impactar ainda mais as relações comerciais entre os dois países.
Apesar das barreiras, a Nvidia ainda vê a China como um mercado essencial, com receita anual de US$ 17,11 bilhões na região (incluindo Hong Kong) no ano fiscal de 2025. O CEO da empresa, Jensen Huang, afirmou que as restrições terão pouco impacto imediato, mas que, no longo prazo, a Nvidia pode transferir parte de sua produção para os Estados Unidos.
A forte demanda das gigantes chinesas por chips H20, o modelo mais avançado permitido sob as regras atuais, mostra que a China segue determinada a expandir suas capacidades em inteligência artificial, mesmo diante dos desafios impostos pelas restrições comerciais dos EUA.