Empresas voltam a investir em mainframes, mas sistemas antigos travam ganho com IA

Durante anos, o mercado de tecnologia discutiu quando os mainframes seriam substituídos. Agora, a pergunta mudou. Em vez de abandonar essas plataformas, grandes empresas estão buscando formas de modernizá-las para ganhar eficiência, reduzir dívida técnica e preparar operações críticas para inteligência artificial, APIs, cloud e automação.

O movimento ganha força com a chegada de novas gerações de mainframes, como o IBM z17, desenvolvido para processar grandes volumes de dados e transações com altos níveis de segurança, disponibilidade e confiabilidade.

Essas máquinas seguem presentes em operações essenciais de bancos, seguradoras, empresas de telecomunicações, órgãos públicos e companhias que não podem parar. O problema é que parte das aplicações que rodam nesses ambientes foi criada há décadas e ainda não consegue aproveitar plenamente os recursos mais recentes.

Mainframe segue no centro de operações críticas

Apesar das previsões sobre o fim dos mainframes, a plataforma continua relevante para empresas que dependem de processamento transacional em larga escala.

Segundo levantamento da Gartner citado pela TQI, menos de 10% das organizações que utilizam mainframes devem considerar uma estratégia de saída até 2030.

Na prática, o foco deixou de ser a substituição completa e passou a ser a modernização. Empresas querem manter a robustez da infraestrutura, mas com sistemas mais preparados para integração, automação e uso de dados.

Infraestrutura nova, aplicação antiga

O desafio está na diferença entre capacidade instalada e uso real. Muitas companhias renovam a infraestrutura, compram equipamentos mais modernos e preparados para IA, mas continuam operando aplicações antigas, criadas em linguagens e arquiteturas de décadas anteriores.

Essa distância pode gerar desperdício de capacidade, consumo computacional maior do que o necessário e dificuldade para integrar sistemas legados a plataformas modernas.

“Estamos observando muitas organizações investirem na nova geração de mainframes, mas ainda operando aplicações que não foram preparadas para aproveitar todo o potencial dessas plataformas. Em muitos casos, há uma oportunidade imediata de ganho de desempenho, redução do consumo computacional e aumento da eficiência por meio da atualização dos sistemas existentes”, afirma Ademir Polesso, head de Mainframe Modernization da TQI.

Modernização pode ser gradual

A atualização de mainframes não precisa significar troca total de sistemas. A modernização pode ocorrer em etapas, preservando aplicações essenciais e incorporando novas capacidades aos poucos.

Entre as possibilidades estão revisão de códigos em COBOL, otimização do consumo computacional, adoção de práticas DevOps, habilitação de APIs, integração com plataformas em nuvem e preparação da infraestrutura para modelos de inteligência artificial.

Esse tipo de estratégia permite que empresas avancem sem comprometer sistemas de missão crítica, que exigem disponibilidade contínua, integridade das transações e alto padrão de segurança.

Dívida técnica entra na agenda

A permanência de aplicações antigas cria o que o mercado chama de dívida técnica. O termo se refere ao acúmulo de sistemas, códigos e processos que continuam funcionando, mas tornam a operação mais cara, menos flexível e mais difícil de evoluir.

Em setores como bancos, seguros e telecomunicações, essa dívida pesa porque os sistemas legados sustentam operações de alto volume e baixa tolerância a falhas.

A modernização busca reduzir esse custo oculto, permitindo que plataformas tradicionais conversem melhor com tecnologias mais recentes.

IA aumenta pressão por atualização

Com a expansão da inteligência artificial, o debate sobre mainframes ganhou nova dimensão. Empresas querem usar IA para análise de dados, automação de processos, detecção de fraudes, atendimento, previsão de demanda e otimização operacional.

Para que isso funcione em ambientes críticos, as aplicações precisam estar mais integradas e acessíveis. Sistemas fechados, pouco documentados ou difíceis de conectar limitam a capacidade de usar dados em tempo real.

Para Cristiano Oliveira, COO da TQI, o mercado amadureceu na forma de olhar para essas plataformas.

“Durante anos, o mercado discutiu como sair do mainframe. Agora, a pergunta mudou para como aproveitar melhor um ativo estratégico que continua sustentando algumas das operações mais críticas do país”, afirma.

Sair da versão mobile