A expansão dos data centers voltados à inteligência artificial abriu uma nova frente de crescimento para a Energ, empresa brasileira especializada em segurança energética. Com sede no ABC Paulista, a companhia movimentou R$ 217 milhões no último balanço e projeta dobrar de tamanho até 2029.
Do total movimentado, R$ 147 milhões correspondem ao faturamento direto da Energ. Outros R$ 70 milhões vieram de vendas diretas da Generac, multinacional da qual a empresa é a maior distribuidora no Brasil.
O avanço ocorre em um momento em que a demanda por energia confiável cresce entre data centers, hospitais, redes de telecomunicação e outras operações críticas. Além do consumo elevado de infraestrutura para IA, apagões associados a eventos climáticos aumentaram a preocupação de empresas com planos de contingência.
Empresa quer ser uma “seguradora de energia”
Fundada em 2003, a Energ começou com foco em manutenção de geradores. Hoje, atua como fornecedora de infraestrutura completa para empresas que não podem interromper suas operações.
A companhia oferece venda, locação, instalação, automação, gestão de subestações e assistência técnica multimarcas. No segmento de alta potência, atende projetos com usinas entre 1.000 e 3.000 kVA, voltados a data centers e operações de missão crítica.
Segundo a empresa, a operação conta com 266 colaboradores, cobertura nacional e monitoramento por telemetria de mais de 3.600 grupos geradores ativos.
Crescimento será por investimento próprio
A estratégia da Energ para crescer não passa por aquisições. Enquanto parte do setor busca escala por fusões e compras de concorrentes, a empresa diz que vai priorizar investimento em ativos próprios.
O plano é crescer entre 20% e 30% ao ano para chegar a R$ 350 milhões de faturamento direto até 2029.
“Não temos no radar a aquisição de competidores menores. Nosso foco total é em Capex. Já possuímos uma carteira de clientes de altíssimo nível e uma demanda crescente por segurança energética; o que precisamos é de mais ativos”, afirma Bruno Moreira, CEO da Energ.
A principal aposta está na ampliação da frota de locação, chamada de Rental. Esse modelo permite atender clientes que precisam de energia de contingência sem necessariamente comprar os equipamentos.
IA pressiona infraestrutura elétrica
A alta demanda por data centers torna a energia um ponto central para empresas de tecnologia. Operações ligadas a IA exigem disponibilidade constante, grande capacidade de processamento e infraestrutura preparada para falhas na rede pública.
Para a Energ, esse cenário transforma o gerador em uma peça estratégica da economia digital. A empresa não vende apenas equipamentos, mas uma camada de segurança para evitar interrupções em operações que movimentam dados, atendimento hospitalar, telecomunicações e sistemas corporativos.
“O cliente não contrata apenas uma máquina; ele contrata a garantia matemática de que sua operação, a vida de seus pacientes ou os dados da sua IA não vão parar por falhas na rede pública”, diz Moreira.
