Entra em vigor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros nesta quarta-feira (22)

Brasil é um dos países mais afetados por novas tarifas de aço e alumínio nos EUA

CTV News

As novas tarifas de 25% impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre uma parcela das exportações brasileiras entram em vigor nesta quarta-feira (22). A sanção comercial é desdobramento de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, dispositivo legal que autoriza a Casa Branca a retaliar unilateralmente países acusados de criar barreiras ou práticas desleais de mercado.

Segundo a avaliação de Washington, o Brasil adota políticas que restringem e oneram injustamente o comércio bilateral. A Casa Branca fundamentou a medida citando o avanço do sistema de pagamentos Pix, barreiras impostas ao etanol norte-americano, fragilidades no combate ao desmatamento ilegal e falhas na proteção de propriedade intelectual contra a pirataria. O USTR argumentou que a gestão Trump tentou negociar termos compensatórios ao longo do último ano, sem obter concessões do governo brasileiro.

A postura de Washington provocou forte reação diplomática em Brasília. Em carta enviada ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rechaçou as acusações e afirmou que a investigação ignorou as evidências técnicas apresentadas pelo país. Vieira classificou o processo como “arbitrário” e sustentou que as tarifas integram uma estratégia de “pressão econômica generalizada” por parte da administração americana, baseada em premissas fáticas incorretas.

Apesar da imposição da alíquota punitiva, o governo norte-americano excluiu 2.126 linhas tarifárias de produtos brasileiros da sobretaxa. A lista de isenções abrange matérias-primas e bens estratégicos essenciais para o mercado interno dos EUA, incluindo alimentos, minérios, combustíveis, medicamentos, aeronaves comerciais e componentes eletrônicos. A preservação desses itens reflete o pragmatismo de Washington em relação a suprimentos de difícil substituição global.

A manutenção da isenção para essa extensa lista de produtos visa evitar choques de oferta e impactos inflacionários diretos no setor produtivo norte-americano. Em comunicado, o USTR reconheceu que a taxação indiscriminada desses insumos provocaria aumento de custos operacionais, desabastecimento local e interrupções graves em cadeias de suprimento industriais dependentes do fornecimento brasileiro.

O início da vigência das tarifas marca a maior escalada de tensão comercial entre Brasília e Washington nos últimos anos, colocando à prova a diplomacia econômica brasileira. Embora a preservação das exportações chaves mitigue os impactos imediatos sobre o saldo da balança comercial do Brasil, o setor exportador monitora com apreensão o desdobramento do impasse e a margem de manobra para eventuais negociações bilaterais de alívio tarifário.

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