Estatais federais registram déficit de R$ 4,1 bilhões no 1º bimestre

As empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 4,16 bilhões no primeiro bimestre de 2026, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (31). O resultado é o pior da série histórica iniciada em 2002, superando o recorde negativo anterior para o período, que havia sido estabelecido em 2024. A deterioração das contas é alarmante, visto que o rombo acumulado em apenas dois meses já representa cerca de 80% de todo o déficit registrado por essas companhias ao longo de 2025.

O principal fator de pressão sobre o balanço consolidado é a crise financeira enfrentada pelos Correios. A estatal, que já vinha operando no vermelho, viu sua situação fiscal se agravar, contribuindo significativamente para o saldo negativo do bimestre. Além dos Correios, o levantamento do Banco Central abrange outras empresas como Infraero, Serpro, Dataprev e Casa da Moeda, mas exclui gigantes que não dependem diretamente do orçamento federal para investimentos, como a Petrobras e os bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal).

Especialistas apontam que o aumento de 320% no déficit em comparação ao mesmo período do ano passado acende um alerta sobre a gestão e a eficiência operacional dessas entidades. No ano anterior, as estatais fecharam o exercício com um saldo negativo de R$ 5,1 bilhões, valor que deve ser superado rapidamente caso o ritmo de perdas atual se mantenha. O impacto fiscal dessas perdas é direto, uma vez que o Tesouro Nacional acaba sendo acionado para garantir a continuidade das operações e o pagamento de dívidas dessas empresas.

Enquanto as estatais federais puxaram o resultado para baixo, os governos regionais (estados e municípios) atuaram como um contrapeso positivo, registrando um superávit de R$ 13,7 bilhões em fevereiro. No entanto, o desempenho das empresas controladas pela União, somado ao déficit do Governo Central, contribuiu para que a dívida bruta do setor público avançasse para 79,2% do PIB, atingindo o montante de R$ 10,2 trilhões. O cenário reforça a urgência de reformas estruturais para conter o dreno de recursos públicos.

A perspectiva para o restante do ano é de monitoramento intenso por parte do Ministério da Fazenda. O governo já revisou a previsão de déficit das estatais para 2026, elevando a estimativa de R$ 1,07 bilhão para R$ 1,52 bilhão — valor que, diante dos números do primeiro bimestre, parece subestimado. A estratégia de recuperação deve passar pelo enxugamento de custos operacionais e pela revisão de contratos em empresas críticas, visando mitigar o impacto negativo no resultado primário do país.

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