Os ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos caminham para fechar junho com o pior desempenho desde o lançamento desses produtos, em janeiro de 2024. Até o fim do mês, os fundos acumulavam saídas líquidas de aproximadamente US$ 4,1 bilhões, superando o recorde anterior de US$ 3,56 bilhões registrado em fevereiro de 2025.
O movimento reflete a redução do apetite dos investidores por ativos de maior risco em meio à forte desvalorização do Bitcoin. Em junho, a criptomoeda chegou a acumular queda próxima de 20%, sendo negociada na faixa de US$ 59 mil.
Investidores reduzem exposição ao Bitcoin
A forte saída dos ETFs de Bitcoin indica que investidores institucionais diminuíram a exposição ao mercado de criptomoedas diante do aumento da aversão ao risco. Quando há grandes resgates, os gestores dos fundos precisam vender parte dos bitcoins mantidos em carteira, ampliando a pressão sobre o preço do ativo.
Segundo dados da plataforma SoSoValue, apenas o ETF IBIT, da BlackRock, respondeu por cerca de US$ 3 bilhões das retiradas registradas em junho. Outros fundos relevantes, como os da Grayscale e Fidelity, também apresentaram resgates expressivos.
Cenário desafia mercado de criptomoedas
O desempenho negativo dos ETFs de Bitcoin ocorre em um contexto de maior cautela nos mercados financeiros globais. Juros elevados, fortalecimento do dólar e a migração de parte dos investidores para setores como inteligência artificial reduziram a demanda por ativos considerados mais voláteis.
Além disso, maio já havia registrado saídas líquidas de aproximadamente US$ 2,4 bilhões. Somados, maio e junho acumulam cerca de US$ 6,5 bilhões em resgates, tornando este o período mais desafiador para os ETFs desde sua criação.
Mercado acompanha próximos movimentos
Apesar do resultado negativo, analistas avaliam que os ETFs de Bitcoin continuam sendo uma das principais portas de entrada para investidores institucionais no mercado de criptomoedas. Os próximos meses serão acompanhados de perto para avaliar se haverá retomada dos fluxos ou continuidade da cautela diante do cenário macroeconômico e da volatilidade do Bitcoin.
