As exportações brasileiras para países do Golfo Pérsico caíram 31,47% em março de 2026, na comparação anual. As vendas somaram US$ 537,1 milhões, segundo dados oficiais do comércio exterior.
A principal causa foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, provocado pela escalada do conflito envolvendo o Irã. O fechamento da rota interrompeu o escoamento de produtos e elevou custos logísticos.
Como consequência, navios passaram a contornar a África para chegar ao destino final. Esse desvio aumentou o tempo de transporte e encareceu fretes e seguros, o que reduziu a competitividade das exportações brasileiras.
Apesar da queda no mês, o resultado acumulado ainda é positivo. No primeiro trimestre de 2026, as exportações para a região cresceram 8,14%, atingindo US$ 2,41 bilhões.
Agronegócio lidera impacto, mas mantém crescimento no trimestre
O agronegócio, responsável por cerca de 75% das exportações para a região, foi o setor mais afetado. Em março, as vendas do segmento recuaram 25,38%.
Entre os produtos, o açúcar teve queda de 43%, enquanto o milho praticamente deixou de ser embarcado. Por outro lado, o café registrou alta no período, o que ajudou a reduzir parcialmente o impacto negativo.
Além disso, as carnes — especialmente frango e bovinos — continuaram entre os principais itens exportados, embora também tenham apresentado variações ao longo do mês.
Ao mesmo tempo, as importações brasileiras vindas da região cresceram 113% em março. Ainda assim, o país manteve superávit comercial de US$ 41,4 milhões no mês.
Por fim, especialistas avaliam que o impacto está diretamente ligado ao cenário geopolítico. Dessa forma, a continuidade ou resolução do conflito tende a definir o comportamento das exportações nos próximos meses.