O herdeiro da JBS que quer faturar R$ 10 bilhões com novo império no agro

À frente da JBJ Agropecuária, Fabrício Batista comanda 14 fazendas, frigoríficos, genética animal e cavalos milionários para mirar R$ 10 bilhões até 2027

Fabrício Batista cresceu com um sobrenome associado a uma das maiores histórias empresariais do agronegócio brasileiro. Filho de José Batista Júnior, um dos herdeiros da família que construiu a JBS, ele hoje lidera uma operação que carrega parte dessa origem, mas segue por um caminho próprio.

A JBJ Agropecuária nasceu depois da saída de José Batista Júnior da J&F, holding controladora da JBS. Em 2013, o empresário deixou a companhia e voltou seu foco para ativos rurais ligados à pecuária e à agricultura em Goiás. A partir dessa transição, começou a ganhar forma uma nova empresa familiar no agro, batizada com as iniciais de José Batista Júnior.

O que começou com cerca de cinco fazendas se transformou, em pouco mais de uma década, em uma operação integrada com 14 propriedades rurais, aproximadamente 150 mil hectares e atuação em diferentes etapas da cadeia da carne. Hoje, a empresa reúne pecuária, confinamento, frigoríficos, exportação, genética bovina e cavalos da raça Quarto de Milha.

A ambição acompanha o tamanho da estrutura. Segundo executivos da companhia, a JBJ saiu de um faturamento próximo de R$ 100 milhões para cerca de R$ 6 bilhões em receita consolidada em 2025. A meta agora é se aproximar de R$ 10 bilhões até 2027.

Fabrício Batista lidera a nova fase da JBJ

No comando da JBJ Agropecuária, Fabrício Batista representa a geração que tenta transformar uma base familiar em uma plataforma empresarial mais ampla. A companhia deixou de ser apenas uma operação de fazendas e passou a atuar com lógica de integração, escala e controle de diferentes etapas da produção.

A base ainda é a pecuária de corte. As propriedades do grupo estão distribuídas entre Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com áreas voltadas à cria, recria e engorda de gado. A expectativa da empresa é terminar 2026 com quase 500 mil cabeças confinadas.

Esse crescimento ajuda a explicar a aposta da JBJ em verticalização. Em vez de depender apenas da produção rural, a empresa passou a controlar também etapas industriais e comerciais da cadeia. O objetivo é ganhar eficiência, previsibilidade e margem em um setor em que escala faz diferença.

O braço industrial da operação é a Prima Foods, controlada pela JBJ. A empresa opera três unidades frigoríficas, com capacidade de abate entre 2 mil e 2,5 mil cabeças por dia.

Em 2025, foram abatidas cerca de 510 mil cabeças. Para 2026, a projeção é chegar a 620 mil. Boa parte da produção tem destino internacional: aproximadamente 70% da carne produzida segue para exportação, com a China como principal mercado.

Cavalos milionários viraram negócio

Se a pecuária sustenta a operação, os cavalos da raça Quarto de Milha se tornaram uma das frentes mais visíveis da JBJ. O negócio nasceu há cerca de cinco anos, quando Fabrício decidiu transformar a paixão pessoal por cavalos em uma operação estruturada dentro do grupo.

O JBJ Ranch ganhou força com leilões que reúnem criadores, investidores, artistas sertanejos e patrocinadores ligados ao agronegócio. Em uma venda recente, um único cavalo chegou a ser negociado por R$ 44 milhões.

A operação promove aquele que é considerado o maior leilão de cavalos da América Latina e um dos maiores do mundo. Neste ano, a empresa bateu novo recorde, com R$ 257 milhões em vendas.

O braço de genética e cavalos deve representar cerca de 10% do faturamento do grupo, com receita próxima de R$ 600 milhões. O número mostra que a frente deixou de ser apenas um ativo de imagem e passou a ocupar espaço real na estratégia de crescimento.

Genética bovina entra no centro da estratégia

A JBJ também investe em genética bovina. A frente, conduzida pela JBJ Genetics, trabalha no desenvolvimento de animais com maior produtividade, ganho de peso, precocidade e qualidade da carne.

A empresa atua com Nelore P.O., cruzamentos genéticos e tecnologias voltadas a reduzir o tempo de abate. Segundo Fabrício Batista, no confinamento da companhia, os bois são abatidos entre 24 e 30 meses.

A internacionalização também entrou no plano da JBJ. Nos últimos anos, a empresa inaugurou uma operação no Texas, nos Estados Unidos, considerado um dos principais centros mundiais da raça Quarto de Milha.

O grupo comprou um rancho em Pilot Point para aproximar a marca do mercado global de genética equina. A estratégia é trazer genética norte-americana para o Brasil e, ao mesmo tempo, posicionar a genética brasileira em mercados internacionais.

Sair da versão mobile